Quero construir uma casa do zero. Por onde começo?

Residencia pequena em lote urbano

Considerando que você já venceu a tarefa de escolher e comprar o terreno para sua casa, veja o que é necessário para iniciar a obra do zero. Calma: o assunto é enorme (daria um livro!), então, neste texto vamos focar apenas nos serviços iniciais: entender o terreno, fazer estudos preliminares e contratar os projetos certos. Planejamento da obra, orçamento, contratação de mão de obra e execução em si, ficam para um outro artigo.

Este artigo apresenta o caminho técnico ideal. Sabemos, porém, que muitas famílias não conseguem contratar esses serviços. Para esses casos, existem alternativas de orientação mínima, que não substituem um engenheiro, mas reduzem riscos graves.

1) Terreno: documentos, relevo, sol e infraestrutura

a) Documentação em ordem
Antes de qualquer desenho bonito, confirme se está tudo regular: IPTU, matrícula (ou compromisso de compra e venda, quando for o caso) e dados básicos do imóvel. Esses documentos são usados para pedir ligações de água, esgoto e energia elétrica; e para aprovar o projeto na Prefeitura (com a emissão do Alvará de Construção). Se a documentação estiver enrolada, a obra vira uma maratona com cadarço desamarrado...

b) Relevo (topografia)
O terreno é plano? Tem aclive (sobe em relação à rua)? Tem declive (desce)? É inclinado de lado? Ou é um “combo” de tudo isso? Essas informações definem decisões bem práticas: onde vai a garagem, como a água da chuva vai escoar, onde cabem áreas de lazer, e até se vale a pena ter um subsolo. Dica importante: movimentação de terra custa caro (escavação, transporte e aterro compactado). Se você conseguir implantar a casa aproveitando o relevo natural, o custo da obra fica menor.

c) Insolação (onde bate sol)
Descubra onde é o Norte do seu terreno (uma bússola simples resolve). No Brasil, a face Norte costuma receber mais sol; a face Sul, menos. Face Leste pega sol de manhã; face Oeste, sol à tarde. Use isso a seu favor: ambientes de uso prolongado (salas e quartos) e áreas que se beneficiam do sol (área de serviço e piscina) geralmente ficam melhores em faces mais ensolaradas. Já garagens, depósitos e alguns banheiros podem ir em faces menos ensolaradas. Dica importante: fachadas pouco ensolaradas tendem a ficar mais úmidas e com mais chance de mofo e fungos.

d) Infraestrutura e serviços públicos
Olhe ao redor do lote: existe poste? Onde está a rede elétrica? Tem rede de esgoto na rua? Há coleta de lixo regular? Existe boca de lobo em frente ao terreno (pode atrapalhar acesso da garagem)? Tem árvore na calçada (pode limitar entrada de veículos)? Pequenos detalhes viram grandes decisões no projeto — e evitam arrependimentos e dor de cabeça mais tarde.

e) Muros: o “elefante” escondido no orçamento
Muros custam caro — e muita gente só percebe isso depois. Em alguns casos, a quantidade de blocos para muros pode ser gigantesca, maior do que será necessario para construir a própria casa! Se o lote ainda não tem muros divisórios, converse com os vizinhos e tente um acordo de rateio (muros laterais e de fundo). É uma conversa chata? Talvez. Mas é uma economia real.


2) Estudos preliminares - duas “radiografias” importantes do terreno

O arquiteto (ou projetista) precisa conhecer o terreno com informação técnica e precisa. Para isso, dois estudos costumam ser os mais importantes no início:

  • Levantamento planialtimétrico cadastral (o “desenho” do terreno)
  • Sondagem do solo (a “radiografia” do subsolo)

a) Levantamento planialtimétrico cadastral
Esse levantamento desenha o lote com medidas reais e mostra o relevo (cotas e declividades), limites, confrontantes e elementos importantes do entorno. Ele pode incluir: posição do Norte, muros existentes, árvores, postes, guia e sarjeta, boca de lobo, entradas possíveis e outras interferências. É a base para o projeto “encaixar” no terreno sem sustos. Veja mais detalhes aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=8

b) Sondagem do solo (e por que isso deveria vir antes do projeto)
A sondagem identifica camadas do solo, resistência e o nível do lençol freático (água subterrânea). Isso afeta fundações e pode afetar até a viabilidade de certas ideias do projeto. Exemplos reais:

  • Solo rochoso raso: se aparecer rocha a poucos metros, escavações para subsolo podem exigir rompimento de rocha, equipamentos pesados e técnicas especiais (serviço caro e com exigências legais).
  • Lençol freático alto: você cava e o buraco e ele enche d'água … antes da piscina existir. Isso complica subsolos, garagens enterradas e exige drenagem e impermeabilização bem planejadas.
  • Piscina e empuxo: em terreno com lençol freático alto, uma piscina vazia pode “boiar” (empuxo) e causar danos, exigindo projeto específico (piscina nessas condições tem custo de construção elevado).

Dica importante: se seu orçamento estiver apertado, verifique se vizinhos já fizeram sondagem e peça uma cópia (em lotes urbanos pequenos, muitas vezes o solo não muda drasticamente a poucos metros). Veja mais detalhes aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=9


3) Projeto arquitetônico: onde a casa “nasce” no papel

Com documentos do terreno, levantamento planialtimétrico e sondagem em mãos; você está pronto para contratar o projeto de arquitetura. Aqui vale uma regra de ouro: o projeto é mais barato do que o retrabalho. Um projeto bem feito evita improvisos caros durante a obra.

Antes de contratar, prepare uma “lista de desejos” (o que é indispensável, o que é opcional e o que você não quer de jeito nenhum). Exemplos:

  • Quantidade de quartos e suítes
  • Home office (sim ou não?)
  • Área gourmet (integrada ou separada?)
  • Lavanderia espaçosa (ou compacta?)
  • Garagem: quantos carros e como acessa?
  • Previsão de ampliação futura

Veja dicas para contratar projeto de arquitetura aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=43

Normalmente o arquiteto também pode conduzir a aprovação do projeto na Prefeitura e a obtenção do Alvará de Construção (o nome exato varia de município para município). Sem esse documento, a obra fica vulnerável a embargos e multas — então vale fazer do jeito certo.


4) Projetos complementares: “como a casa fica de pé e como tudo funciona”

O projeto arquitetônico define a forma e a organização dos ambientes, mas não é suficiente sozinho. Para construir com segurança e durabilidade, você precisa dos projetos complementares. Pense assim: arquitetura é o “roteiro”, e os complementares são o “manual de montagem”.

a) Projeto estrutural e fundações
Define como a casa vai resistir ao peso próprio, aos móveis, às pessoas e ao vento. Também define o tipo de fundação (sapata, estaca, radier etc.) com base na sondagem do solo. Pode ser em concreto armado, alvenaria estrutural, estrutura metálica ou madeira (dependendo do sistema construtivo). Veja como contratar aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=44

b) Projeto de instalações elétricas
Define pontos, circuitos, bitolas de cabos, disjuntores, quadro de distribuição, entrada de energia, aterramento e proteções. Um bom projeto elétrico evita sobrecargas, curtos-circuitos e risco de incêndio. Veja como contratar aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=45

c) Projeto de instalações hidráulicas
Define água fria, água quente (se houver), esgoto, águas pluviais e, quando necessário, gás e sistemas especiais (piscina, irrigação etc.). Dimensionamento errado gera baixa vazão (chuveiro que só sai alguns pingos), entupimentos frequentes e até alagamentos. Veja como contratar aqui: https://mestredeobra.app/artigo.php?id=46

d) Outros projetos que podem ser necessários
Dependendo do seu caso, podem ser necessarios outros projetos: de contenções e drenagens (muros de arrimo), impermeabilização, gás, paisagismo e até projetos estruturais complementares (caixas, canaletas e reservatórios enterrados).


5) Próximo passo: planejar a obra

Com os projetos desenvolvidos e o Alvará em mãos, você finalmente pode pensar em iniciar a obra com segurança e previsibilidade. O tema “planejamento e execução” (orçamento, cronograma, contratação, canteiro, compras e controle de qualidade) é grande e merecem vários capítulos (nossos próximos artigos) — em breve.


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