Como contratar o projeto de instalações hidráulicas.

Projeto de instalações hidráulicas em obra

Contratar o projeto de instalações hidráulicas é uma decisão importante, e as vezes negligenciadas por construtores. Normalmente ele fica “escondido” dentro das paredes e do piso, mas quando algo dá errado, o problema aparece — e quase sempre com custo alto, transtorno e quebra-quebra. Um bom projeto hidráulico é o que garante conforto, segurança e funcionamento adequado da edificação ao longo dos anos.

De forma geral, o projeto de instalações hidráulicas envolve o dimensionamento e o detalhamento das tubulações de água fria, água quente (quando houver), rede de esgoto sanitário e rede de águas pluviais. Em muitos casos, também inclui tubulações de gás e, quando o imóvel possui piscina, entram no projeto as tubulações de drenagem, aspiração e coadeira. Tudo isso precisa funcionar em conjunto, sem conflitos e sem improvisos.

A importância desse projeto independe do porte da obra. Em uma residência pequena, erros podem gerar desconforto: falta d’água por reservatório subdimensionado, chuveiros com pouca pressão, torneiras com vazão insuficiente ou entupimentos frequentes da rede de esgoto. Já em obras maiores, como prédios, hotéis ou condomínios; falhas no projeto hidráulico podem comprometer o uso do imóvel e até a segurança da edificação. Existem casos reais de restaurantes cujo esgoto destinado à fossa séptica transborda durante o funcionamento da cozinha, ou condomínios onde a drenagem mal dimensionada causa alagamento do estacionamento no subsolo após chuvas intensas.

Quando o assunto é gás, o cuidado deve ser ainda maior. Erros de projeto podem resultar em vazamentos, risco de explosão, intoxicação por gases e interdição do imóvel por órgãos fiscalizadores. Por isso, tubulações de gás exigem projeto específico, materiais adequados e total conformidade com as normas técnicas.

A drenagem de águas pluviais também merece atenção especial. Em imóveis pequenos, normalmente se resolve com tubulações de 100 a 150 mm bem dimensionadas. Já em terrenos maiores, loteamentos ou condomínios, erros no projeto de drenagem podem provocar erosões, deslizamento de taludes e acidentes graves. Um problema ainda mais silencioso é a ruptura de tubulações enterradas: ao longo dos anos, vazamentos constantes podem gerar o fenômeno conhecido como piping (erosão hídrica), causando afundamento de pisos, recalque de fundações, trincas em paredes e danos estruturais importantes.

Outro ponto que merece atenção é que nem toda instalação hidráulica se resume apenas a tubulações. Alguns sistemas exigem projetos estruturais complementares para garantir segurança e durabilidade. É o caso de escadas hidráulicas, canaletas de drenagem, caixas de inspeção, caixas de passagem, reservatórios enterrados, bases e tanques para ETE – Estação de Tratamento de Esgoto, entre outros elementos. Esses componentes trabalham diretamente com água, empuxo, peso próprio e sobrecargas, exigindo dimensionamento estrutural adequado. Ignorar essa etapa pode resultar em trincas, vazamentos, recalques, ruptura de estruturas enterradas e até colapsos localizados. Por isso, um bom projeto hidráulico deve caminhar lado a lado com o projeto estrutural, garantindo que tudo funcione de forma integrada e segura ao longo da vida útil da edificação.

A escolha do projetista é, portanto, uma decisão estratégica. Avalie o histórico profissional, obras já executadas, fotos de trabalhos concluídos e, sempre que possível, referências de outros clientes. Para evitar frustrações, retrabalhos e custos desnecessários, é fundamental saber exatamente o que informar, o que exigir e como formalizar essa contratação. Didaticamente, esse processo pode ser dividido em quatro etapas:

1. Localização do imóvel

O projetista precisa analisar como ocorre o abastecimento de água (concessionária, poço artesiano ou caminhão-pipa) e a coleta de esgoto. Em áreas afastadas dos grandes centros, pode ser necessário prolongamento de redes existentes ou a adoção de sistemas isolados, como fossa, filtro anaeróbio, sumidouros ou até estações compactas de tratamento. Também deve ser verificado se o município exige reservatórios de retenção de águas pluviais, como a conhecida “Lei das Piscininhas” da cidade de São Paulo, cabendo ao projetista dimensionar corretamente esse sistema.

2. Levantamento planialtimétrico cadastral

Esse levantamento apresenta as dimensões exatas do terreno, relevo, níveis, declividades, muros, árvores, postes, calçadas, bocas de lobo e inclinação da sarjeta. Essas informações são fundamentais para o correto projeto da drenagem de águas pluviais.

3. Projeto arquitetônico

O projeto hidráulico deve ser desenvolvido com base em um projeto arquitetônico amadurecido, com plantas, cortes e fachadas bem definidos, preferencialmente em arquivo DWG. Alterações posteriores no projeto arquitetônico geram revisões e custos adicionais.

Além disso, o cliente deve fornecer uma verdadeira “lista de desejos”. Às vezes o projeto arquitetônico já contempla tudo, mas nem sempre. Para evitar surpresas, informe ao projetista:

  • Qual será o sistema de aquecimento de água para chuveiros: se será com chuveiro elétrico, com aquecedor central, se boiler elétrico ou a gás, se com aquecedor de passagem etc.
  • Quais ambientes terão água quente? Somente os quartos, ou inclui a cozinha e lavabo?
  • O imóvel terá aquecimento solar?
  • Será instalado um pressurizador para aumentar a vazão nos chuveiros e torneiras?
  • Como será o sistema de descarga das bacias? Válvula de descarga, bacia com caixa acoplada, com caixa embutida na parede?
  • O imóvel terá piscina aquecida? Qual será o sistema de aquecimento?
  • Se pretende ter reaproveitamento de água da chuva?
  • O jardim terá sistema de irrigação automático?
  • Em quais locais se deseja ter um ponto de torneira? Próximo ao carro, próximo à casinha do pet, perto da piscina etc?

Em caso de projetos não residenciais, esta lista pode ser mais técnica e definida por especialistas, por exemplo, no caso de clínicas, consultórios médicos, dentistas, indústrias, oficinas etc.

4. Contrato

Por fim, tudo o que foi discutido nas etapas anteriores deve constar claramente em contrato: escopo do projeto, sistemas contemplados, responsabilidades, prazos, forma de entrega e número de revisões. Um contrato bem definido protege tanto o cliente quanto o projetista e garante que o projeto hidráulico cumpra seu papel: fazer a água chegar aonde precisa, sair por onde deve e nunca se tornar um problema no futuro.

O profissional deve registrar sua responsabilidade técnica no conselho competente por meio da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Esse documento protege o contratante e o profissional, garantindo que o serviço será executado por alguém habilitado.

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