Devo fazer a sondagem do solo antes de iniciar a obra?

Sondagem do Solo

O ensaio de sondagem do solo tipo SPT (Standard Penetration Test) é um dos serviços técnicos mais importantes para o início seguro de qualquer obra. Esse ensaio fornece informações cruciais sobre a resistência do solo, sua estratigrafia (camadas), nível do lençol freático e características físicas gerais — como presença de argila, areia, silte ou rocha. Os dados obtidos servem como base para os projetos de fundações, contenções, muros de arrimo, piscinas e subsolos, além de orientar o arquiteto quanto às limitações reais do terreno. Sem o ensaio SPT, qualquer decisão de projeto envolve riscos elevados de erro ou retrabalho.

É importante destacar que a sondagem deve ser realizada antes mesmo da elaboração de qualquer projeto. Muitos construtores e até mesmo alguns profissionais iniciantes acabam invertendo essa ordem: desenvolvem o projeto primeiro e só depois investigam o solo. Esse caminho é perigoso. Imagine projetar um subsolo elegante para estacionamento de veículos, e depois descobrir que existe rocha dura a apenas poucos metros da superfície. Nesse cenário, a obra enfrentará um problema gigantesco: será necessário demolir rocha, muitas vezes com perfuratrizes pesadas ou até mesmo com o uso de explosivos. Além de extremamente caro, esse tipo de intervenção exige uma série de autorizações legais e cuidados adicionais com vizinhos, vibrações e segurança. Em muitos casos, o custo da escavação supera o orçamento inicial do projeto, obrigando a revisões, atrasos e muita dor de cabeça.

Situação semelhante ocorre quando o terreno está localizado em uma área com lençol freático elevado. Se o solo estiver saturado, basta abrir um buraco para que ele imediatamente se encha com a água subterrânea, atrapalhando escavações, atrasando fundações e aumentando consideravelmente o custo de bombeamento e impermeabilização. E há um detalhe que muita gente desconhece: em terrenos assim, construir uma piscina pode ser um grande desafio. Uma piscina vazia funciona como um barco — e barcos flutuam. O empuxo exercido pela água do lençol freático pode literalmente “empurrar” a piscina para fora do solo se ela não estiver devidamente ancorada. Por isso, o arquiteto precisa conhecer profundamente as características do subsolo para projetar de acordo com a realidade do terreno. Negligenciar essa etapa inicial pode gerar prejuízos enormes, retrabalho e comprometer todo o desenvolvimento do empreendimento. Em resumo: sondagem do solo não é burocracia, um preciosismo do engenheiro – se trata de uma providencia inteligente.

O ensaio de sondagem é realizado por empresas especializadas em geotecnia, e o cliente recebe um Relatório de Sondagem, contendo: perfis estratigráficos, gráfico SPT (número de golpes para cada avanço do amostrador), nível d’água medido durante e após a perfuração, descrição detalhada das camadas do solo, tabela com profundidades, amostras coletadas e memorial técnico da execução. É entregue também a planta de locação dos furos e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitida por engenheiro geotécnico registrado no CREA.

Para contratar o serviço, o cliente deve fornecer informações fundamentais, como: croqui com a locação dos furos de sondagem, (fornecida pelo arquiteto, engenheiro estrutural ou projetista de fundações); se possível, o levantamento planialtimétrico cadastral, fotos atuais do terreno e indicação dos acessos disponíveis. Esses documentos permitem que a empresa de sondagem avalie previamente as condições de trabalho e evite surpresas durante a execução.

O serviço é precificado normalmente por metro linear perfurado. A maioria das empresas adota uma metragem mínima — geralmente 30 metros — independentemente do volume real executado. Ou seja, mesmo que a obra necessite de apenas 15 metros de sondagem, será cobrado o mínimo de 30. Além disso, é cobrada uma Taxa de Mobilização para transporte e montagem do equipamento, que varia entre R$ 1.200,00 e R$ 2.000,00, podendo ser maior em terrenos acidentados, com aclives, declives acentuados ou acessos difíceis.

A sondagem é executada com um conjunto formado por tripé metálico (com cerca de 6 a 7 metros de altura), cabos de aço, roldanas, martelo de queda livre e hastes de perfuração. Por isso, o terreno deve possuir área suficiente para a montagem do tripé, o que pode ser um desafio em obras de reforma, casas já construídas ou locais confinados muito estreitos. Em situações de acesso extremamente limitado, podem ser usados equipamentos compactos, mas com custo mais elevado.

O SPT também exige água durante a perfuração, tanto para lubrificação quanto para retirada dos detritos. Caso a obra ainda não tenha ligação de água, o cliente deve informar a empresa para que ela providencie alternativas (como caminhão-pipa ou reservatório portátil).

O número de furos depende do tamanho e complexidade do projeto. Mesmo para lotes urbanos pequenos, o ideal é realizar ao menos três furos, posicionados nos pontos onde a futura edificação irá exercer maiores cargas — como áreas de pilares principais, piscina, garagem subterrânea ou locais com previsão de escavação profunda.

Por fim, é essencial contratar uma empresa qualificada e experiente. A sondagem é um dos poucos serviços da obra em que erros de execução podem gerar consequências graves e invisíveis, como fundações subdimensionadas ou patologias estruturais difíceis de corrigir. Portanto, verifique o currículo da empresa, obras já atendidas e a regularidade de sua equipe técnica.

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