O corte de árvores é um dos serviços mais delicados da construção civil, tanto pelos riscos operacionais quanto pelas exigências legais. Embora muitas vezes pareça um procedimento simples, trata-se de uma atividade que exige planejamento, autorização ambiental, mão de obra especializada e cuidados rigorosos para evitar acidentes, danos patrimoniais e penalidades legais. Uma única árvore no lote pode atrasar o início da obra por meses se o processo não for conduzido adequadamente.
Do ponto de vista legal, o corte de qualquer árvore em áreas urbanas requer, na grande maioria das cidades brasileiras, autorização prévia da prefeitura. Para obtenção desta autorização, o proprietário deve apresentar documentos do imóvel, justificativa técnica para o corte, o DAP (Diâmetro à Altura do Peito), croqui indicando a posição da árvore no terreno e, quando aplicável, fotos da copa e do tronco. Em diversos municípios, também é exigido um termo de compensação ambiental, que pode envolver plantio de mudas nativas em locais específicos ou a doação de mudas à prefeitura. Sem autorização, o proprietário incorre em crime ambiental, sujeito a multas e outras sanções.
O processo administrativo pode incluir vistoria técnica de engenheiros florestais ou agrônomos da prefeitura. Somente após o parecer favorável é emitida a autorização. Em muitas cidades, esse trâmite leva semanas ou até meses — por isso, recomenda-se solicitar o corte logo no início do planejamento da obra.
Uma vez autorizado, inicia-se a etapa operacional, que envolve riscos significativos. O corte deve ser realizado por equipe especializada, com uso de EPI completo (capacete, protetores auriculares, óculos, luvas, perneiras) e ferramentas adequadas como motosserra, escada extensível e cordas de segurança. Árvores de grande porte jamais devem ser derrubadas de uma única vez: realiza-se primeiro o corte sequencial dos galhos, avaliando sempre a direção de queda para evitar danos a construções, rede elétrica, calçadas, veículos, lotes vizinhos e pedestres.
Se qualquer parte da copa estiver próxima a fiações elétricas, a situação se torna ainda mais crítica. O corte só deve ocorrer com o desligamento prévio da rede, solicitado à concessionária (ex.: ENEL em São Paulo). Este processo exige nova solicitação oficial, prazo de agendamento e abertura de protocolos — o que pode prolongar ainda mais o início das atividades no terreno. Um única árvore em seu lote pode atrasar o início das obras em meses, e até mesmo, em anos.
Além do corte propriamente dito, o responsável deve planejar o destino dos resíduos. Galhos, folhas e troncos devem ser picados e transportados por meio de caçambas estacionárias ou caminhões, conforme exigências municipais.
Observações adicionais:
- O corte de árvores é serviço técnico especializado — contrate equipe certificada ou empresa habilitada em poda e supressão vegetal.
- Ao solicitar orçamento, informe altura aproximada, diâmetro do tronco e condições de acesso ao local.
- Nunca deixe que equipes improvisadas realizem cortes próximos à rede elétrica — risco extremo de acidente fatal.
- Se a árvore estiver doente, inclinada ou com risco iminente de queda, solicite vistoria emergencial da prefeitura.
- O material lenhoso pode ser reaproveitado como lenha, cavacos ou encaminhado para compostagem, conforme legislação local.