Como contratar o projeto arquitetônico.

Arquiteto desenvolvendo projeto arquitetônico para obra

Contratar um projeto arquitetônico é um dos passos mais importantes de qualquer obra. É nesse momento que ideias ganham forma, que sonhos começam a virar desenhos, plantas e fachadas.

Importante observar que a escolha do projetista é uma decisão estratégica. Não basta contratar “um arquiteto”, é fundamental analisar o histórico profissional, procure referências de projetos realizados, fotos de obras concluídas, depoimentos de clientes e, se possível, visite empreendimento projetado por esse profissional. Outro ponto essencial é verificar se o estilo das obras desenvolvidas pelo arquiteto é compatível com aquilo que você procura — não adianta querer uma casa contemporânea e contratar alguém que atua majoritariamente com projetos clássicos, por exemplo.

Para evitar frustrações, retrabalhos e custos desnecessários, é fundamental que o contratante saiba exatamente o que informar, o que exigir e como formalizar essa contratação. Didaticamente, podemos dividir esse processo em três grandes etapas.

1. Dados do imóvel

O primeiro passo é fornecer ao projetista informações precisas sobre o imóvel. Sem dados corretos, não existe projeto confiável.

a) Levantamento planialtimétrico cadastral do terreno
Esse levantamento mostra as dimensões exatas do lote, seus confrontantes, o relevo (níveis, aclives e declives), a presença de árvores, muros, postes, bocas de lobo, largura da calçada e da via pública. Também indica o Norte magnético, informação essencial para saber onde nasce e se põe o sol, influenciando conforto térmico, iluminação natural e ventilação. Edificações vizinhas, recuos e alturas também devem ser observados, pois podem impactar diretamente o projeto.

b) Sondagem do solo
A sondagem identifica as camadas do subsolo, apontando se há solo mole, rochas (maciças ou fragmentadas), entulhos de construções antigas e o nível do lençol freático. Esses dados são fundamentais para avaliar a viabilidade de subsolos, piscinas, fundações mais profundas e custos da obra. Projetar sem conhecer o solo é como desenhar no escuro.

c) Documentos legais do imóvel
Devem ser fornecidos a capa do IPTU e a matrícula do imóvel. Com esses documentos, o arquiteto verifica junto ao município as regras de zoneamento: recuos obrigatórios, altura máxima, taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, permeabilidade do solo, exigência de vagas de estacionamento e acessibilidade. Também é possível checar junto às concessionárias a disponibilidade de energia eletrica, água e rede de esgoto.

2. Dados do projeto (Briefing)

Essa é a alma do projeto. Tecnicamente chamada de briefing, essa etapa consiste em listar todas as necessidades e expectativas do usuário do imóvel. Quantos ambientes? Qual a função de cada um? Há planos futuros, como filhos, ampliação da construção, instalações de uma piscina? Qual a frequência de uso do imóvel? Também entram aqui as preferências estéticas: linha arquitetônica (moderna, contemporânea, clássica, rústica, industrial, Hi-Tech), materiais de acabamento desejados e referências visuais - mostrar fotos de projetos, ambientes ou detalhes que agradem ajuda muito o arquiteto a entender o que o cliente espera.

Um bom exemplo, é pensar no uso real da casa: se familiares visitam com frequência, será necessário um quarto de hóspedes? Este quarto será uma suíte ou usará um banheiro compartilhado? O ambiente pode ter dupla função, como uma sala de TV com sofá-cama? Entre os hospedes, há idosos ou pessoas com mobilidade reduzida? Isso pode exigir portas mais largas, barras de apoio e sanitários adequados.

Em projetos comerciais, industriais ou corporativos, o briefing costuma ser ainda mais técnico. Muitas vezes são necessários estudos prévios, como estimativa de público, demanda, público-alvo e possibilidades de expansão futura. Por exemplo, em um hotel, não cabe ao arquiteto definir quantos quartos existirão — esse estudo deve ser contratado pelo cliente junto a empresas especializadas em hotelaria.

É importante entender que nem tudo do briefing poderá ser atendido. Existem limitações físicas do terreno, restrições legais e limites de custo. Cabe ao projetista explicar claramente o que é viável e o que precisará ser ajustado.

3. Contrato

Por fim, tudo deve ser formalizado em um contrato detalhado. Ele deve especificar o escopo do projeto, número de revisões, prazos, cronograma de entregas, responsabilidades das partes, forma de pagamento e se estão incluídas visitas técnicas à obra.

O profissional contratado deve registrar sua atividade junto ao conselho competente, por meio da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Esse documento protege tanto o contratante quanto o profissional, garantindo que o serviço será executado por alguém legalmente habilitado. Um bom contrato não cria burocracia — ele cria segurança, clareza e tranquilidade para que o projeto arquitetônico cumpra seu papel: transformar necessidades em soluções bem planejadas.

Observe que profissionais mais experientes tendem a cobrar honorários mais elevados, mas essa diferença de valor geralmente se reflete em soluções mais inteligentes, menor retrabalho, melhor aproveitamento do terreno e maior qualidade técnica do projeto como um todo. Em arquitetura, experiência não é custo: é investimento.

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