O projeto estrutural e o projeto de fundações são responsáveis por garantir que a edificação fique em pé, segura e estável ao longo de toda a sua vida útil. De forma simples, o projeto estrutural define pilares, vigas, lajes e os materiais utilizados — como concreto armado, concreto protendido ou estruturas metálicas. Já o projeto de fundações determina como essa estrutura será apoiada no solo, escolhendo entre sapatas, blocos, estacas, radier, tubulões, entre outras soluções. Esses projetos dependem diretamente das características do terreno, sendo indispensável a realização da sondagem do solo (SPT) antes de qualquer cálculo.
Vale destacar que o projeto estrutural não se limita ao concreto armado, embora ele seja o sistema mais comum no Brasil. Dependendo das características da obra, do prazo, custo e da concepção arquitetônica, o cálculo pode envolver estruturas metálicas, estruturas de madeira, alvenaria armada, sistemas mistos (como concreto armado + metálica), além de estruturas protendidas e pré-fabricadas. Cada sistema possui comportamento estrutural, método construtivo e critérios normativos próprios, exigindo do calculista conhecimento técnico específico. A escolha do tipo de estrutura deve sempre considerar segurança, viabilidade técnica, custo global da obra e facilidade de execução, reforçando mais uma vez a importância de um projeto estrutural bem elaborado desde o início.
Contratar corretamente o cálculo estrutural e de fundações é essencial para a segurança da obra. Não importa se estamos falando de uma casa térrea simples, de uma garagem isolada ou de um prédio com vários pavimentos. Se a estrutura não estiver dimensionada para suportar corretamente as cargas que atuam sobre lajes, vigas e pilares, o resultado pode ser trágico: fissuras, deformações excessivas e, em casos extremos, acidentes graves e colapsos estruturais.
A escolha do calculista estrutural é uma decisão estratégica. É fundamental analisar o histórico profissional, projetos já realizados, fotos de obras concluídas e, sempre que possível, referências de clientes. Profissionais mais experientes tendem a cobrar honorários maiores, mas essa experiência costuma se traduzir em soluções mais eficientes, estruturas mais bem otimizadas e menor risco de problemas durante a execução da obra.
Para evitar frustrações, retrabalhos e custos desnecessários, é importante que o contratante saiba exatamente o que informar, o que exigir e como formalizar essa contratação. Didaticamente, podemos dividir esse processo em três grandes etapas.
1. Dados do imóvel
a) Levantamento planialtimétrico cadastral do terreno
Esse levantamento apresenta as dimensões exatas do lote, confrontantes, relevo (aclives e declives), presença de árvores, muros, postes, bocas de lobo, largura da calçada e da via pública. Também identifica edificações vizinhas, seus recuos e alturas, informações que podem impactar diretamente a escolha e o dimensionamento do tipo de fundação.
b) Localização do imóvel
A localização influencia diretamente a ação dos ventos sobre a edificação. Por isso, o calculista precisa saber onde a obra será construída e como é o entorno: área aberta ou urbanizada, topo de morro, fundo de vale, proximidade de edificações mais altas, entre outros fatores que interferem nos esforços atuantes na estrutura.
c) Sondagem do solo
A sondagem identifica as camadas do subsolo, indicando resistência, grau de compactação, presença de solo mole, rochas, entulhos de construções antigas e o nível do lençol freático. Esses dados são fundamentais para definir se a fundação será rasa ou profunda e para dimensioná-la corretamente.
2. Projeto arquitetônico
O projeto arquitetônico é a base para o desenvolvimento do projeto estrutural. Alterações na arquitetura quase sempre geram revisões na estrutura e nas fundações, o que aumenta custo e prazo. Por isso, o cálculo estrutural deve ser contratado apenas quando o projeto arquitetônico estiver bem amadurecido.
O ideal é fornecer ao calculista plantas baixas, cortes e fachadas, preferencialmente em formato DWG. Em muitos casos, o engenheiro estrutural solicitará detalhes adicionais. É comum também que arquiteto e calculista façam reuniões para ajustar o projeto, já que o arquiteto nem sempre consegue prever corretamente as dimensões finais de pilares e vigas.
Outro ponto crítico é a passagem de tubulações por elementos estruturais. Isso é possível, mas exige estudo detalhado, definição precisa de furos e reforços adequados nas armaduras. Além disso, o projeto arquitetônico deve informar o tipo de blocos ou tijolos das paredes, telhas, revestimentos e guarda-corpos, pois cada item representa peso e esforço que precisam ser considerados no cálculo.
3. Contrato
Por fim, tudo deve ser formalizado em um contrato detalhado, especificando escopo, número de revisões, prazos, cronograma, responsabilidades, forma de pagamento e se estão previstas visitas técnicas à obra.
O profissional contratado deve registrar sua atividade junto ao conselho competente por meio da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Esse documento protege o contratante e o profissional, garantindo que o serviço está sendo executado por alguém legalmente habilitado. Um bom contrato não cria burocracia — ele cria segurança, clareza e tranquilidade. Em projetos estruturais, assim como na arquitetura, experiência não é custo: é investimento.