Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em

Instalando rede de água quente com tubos CPVC

instalação de rede hidráulica com tubos CPVC

Água quente dentro da parede parece simples, mas trabalha todos os dias com temperatura, pressão e dilatação. Se o material estiver errado, o problema pode aparecer justamente onde ninguém consegue enxergar.

Os tubos de CPVC são bastante utilizados em instalações prediais de água quente por combinarem baixo peso, resistência à corrosão, facilidade de montagem e capacidade de trabalhar em temperaturas superiores às suportadas pelo PVC convencional.

CPVC significa Policloreto de Vinila Clorado. Ele pertence à mesma família do PVC, mas passa por um processo adicional de cloração que aumenta sua resistência térmica.

Na prática, isso permite utilizá-lo em redes alimentadas por aquecedores a gás, elétricos, solares, bombas de calor e outros sistemas de produção de água quente, desde que sejam respeitadas as condições de temperatura e pressão.

Uma das grandes vantagens do CPVC é que sua instalação se parece muito com a tradicional rede de PVC soldável: corta-se o tubo, prepara-se a superfície e utiliza-se um adesivo específico para CPVC.

Mas atenção: parecer com PVC não significa ser PVC.

Não utilize adesivo comum de PVC em uma rede de CPVC. Tubos, conexões, adesivos e procedimentos devem ser compatíveis com o sistema indicado pelo fabricante.

Projeto hidráulico continua sendo o primeiro passo

Uma rede de água quente não deve ser resolvida apenas durante a instalação.

O projeto hidráulico precisa definir:

  • fonte de aquecimento;
  • temperatura prevista da água;
  • pressão disponível;
  • diâmetros das tubulações;
  • comprimentos dos ramais;
  • perdas de carga;
  • posição de registros;
  • rede de retorno, quando existir;
  • isolamento térmico;
  • dilatação da tubulação;
  • condições para manutenção futura.

Os sistemas prediais de água fria e quente devem considerar as diretrizes da ABNT NBR 5626.

Em uma instalação de água quente, o projetista precisa pensar não apenas em fazer a água chegar ao ponto de consumo, mas em fazê-la chegar com temperatura, vazão e pressão adequadas.

Também é importante reduzir percursos desnecessariamente longos. Quanto maior a distância entre aquecedor e torneira, maior a quantidade de água fria que precisa sair antes de chegar a água quente. Isso representa desconforto e desperdício.

O que é FlowGuard?

Ao pesquisar tubos de CPVC, você provavelmente encontrará várias referências à marca FlowGuard®. É importante entender que FlowGuard não é um material diferente do CPVC.

FlowGuard é uma tecnologia e marca de composto de CPVC desenvolvida pela Lubrizol, empresa que trabalha com esse material desde o final da década de 1950. O composto é utilizado na fabricação de tubos e conexões destinados, entre outras aplicações, às redes prediais de água fria e quente.

Na prática, diferentes fabricantes podem produzir tubos e conexões utilizando a tecnologia FlowGuard, seguindo suas formulações e requisitos técnicos. No Brasil, os sistemas prediais de CPVC para água quente e fria devem atender também às normas brasileiras aplicáveis, como a ABNT NBR 15884.

Por essa razão, neste artigo utilizamos algumas informações técnicas do FlowGuard como referência para características do CPVC, como resistência à temperatura, pressão e dilatação térmica.

Mas isso não significa que todos os tubos de CPVC disponíveis no mercado tenham exatamente os mesmos limites de utilização. A temperatura e a pressão máximas devem sempre ser conferidas na ficha técnica da marca e da linha efetivamente utilizadas na obra.

Em outras palavras: CPVC é o material; FlowGuard é uma tecnologia comercial de CPVC. Parece detalhe, mas ajuda bastante na hora de comparar catálogos e escolher corretamente os produtos da instalação.

Qual temperatura o CPVC suporta?

O CPVC foi desenvolvido justamente para trabalhar em temperaturas superiores às do PVC convencional.

Em sistemas conhecidos internacionalmente, como o FlowGuard, encontramos indicação de operação contínua em torno de 82°C, sempre considerando também a pressão de serviço.

Esse detalhe é importante porque temperatura e pressão precisam ser analisadas juntas.

Um tubo pode suportar uma determinada pressão quando conduz água a 20°C, mas suportar pressão menor quando trabalha próximo de sua temperatura máxima.

Por isso, o valor exato deve ser conferido na tabela técnica da marca e linha utilizadas na obra.

Em residências, normalmente trabalhamos com temperaturas bem inferiores a esse limite. A água utilizada em chuveiros, lavatórios e cozinhas costuma ser misturada com água fria antes do uso.

O problema pode aparecer quando alguma coisa dá errado no sistema de aquecimento.

E se o termostato do aquecedor falhar?

aquecedor de passagem instalado na área de serviço

Um aquecedor bem projetado possui dispositivos destinados a controlar e limitar a temperatura da água - o termostato. Mas equipamentos também podem apresentar defeitos.

Se ocorrer uma falha de termostato, sensor, controle eletrônico ou outro dispositivo de segurança, a água pode atingir temperaturas superiores às previstas para a instalação.

Se essa temperatura ultrapassar os limites admissíveis do CPVC utilizado, a tubulação pode:

  • perder resistência mecânica;
  • amolecer;
  • deformar;
  • sofrer tensões excessivas nas conexões;
  • apresentar vazamentos;
  • em situações extremas, romper.

Por isso, o projeto não deve considerar apenas a temperatura normal de uso. Também é necessário observar as proteções do equipamento de aquecimento e as temperaturas máximas que podem ocorrer em situações anormais.

O tubo não sabe que o termostato quebrou. Ele apenas recebe a água que chega.

Essa é uma das razões pelas quais sistemas de água quente devem ser projetados como um conjunto: aquecedor, controles, válvulas, tubulações e pontos de consumo.

Tubos e conexões disponíveis

conexões para tubos de CPVC

As linhas de CPVC para água quente possuem uma grande variedade de peças.

Entre as principais encontramos:

  • joelhos de 45° e 90°: para mudanças de direção;
  • curvas: para alterações de direção mais suaves;
  • tês: para derivações;
  • luvas: para união entre tubos;
  • reduções: para mudanças de diâmetro;
  • uniões: que permitem desmontagem futura;
  • caps: para fechamento das extremidades;
  • conexões com insertos metálicos: para transições com registros, torneiras, aquecedores e outros equipamentos rosqueados;
  • tês misturadores: utilizados em determinadas configurações de água quente e fria.

Fabricantes como a Tigre oferecem linhas específicas de CPVC para água quente, como a Aquatherm, com tubos e conexões de vários diâmetros.

Utilizar as conexões corretas evita improvisações.

Uma sequência de três adaptadores pode até funcionar, mas geralmente significa mais custo, maior perda de carga e mais pontos onde futuramente poderá ocorrer vazamento.

Como executar a união dos tubos CPVC?

Diferentemente do PPR, que utiliza termofusão, o CPVC utiliza adesivo específico. O procedimento exato deve sempre seguir a orientação do fabricante, mas de forma geral envolve:

  1. Cortar o tubo perpendicularmente.
  2. Eliminar rebarbas.
  3. Conferir medidas e posições antes da união.
  4. Limpar adequadamente as superfícies.
  5. Aplicar o produto recomendado para aquele sistema.
  6. Introduzir o tubo corretamente na bolsa da conexão.
  7. Manter o alinhamento durante a pega inicial.
  8. Respeitar o tempo de cura antes de pressurizar a rede.

Um dos erros mais comuns é tratar o adesivo como se fosse uma cola universal. Não é.

O produto participa quimicamente da união das superfícies. Por isso, utilizar adesivo errado, vencido ou incompatível pode comprometer toda a junta.

Outro erro, é colocar a rede sob pressão antes do tempo necessário para cura. Construção tem muitas situações onde alguns minutos economizados hoje custam algumas horas amanhã. Essa é uma delas.

CPVC não precisa de termofusora

Essa é uma vantagem prática importante quando comparamos CPVC e PPR.

No PPR, a equipe precisa possuir uma termofusora, bocais adequados e treinamento para respeitar temperatura, tempo de aquecimento e profundidade de inserção.

No CPVC, a montagem é feita com ferramentas simples de corte e os produtos de preparação e união indicados pelo fabricante.

Isso pode facilitar pequenas instalações, reformas e trabalhos em locais de difícil acesso.

Por outro lado, o instalador precisa respeitar rigorosamente as condições de limpeza, quantidade de adesivo e tempo de cura.

No PPR, o risco está muito relacionado à qualidade da termofusão. No CPVC, está muito relacionado à qualidade da união química.

Água quente faz a tubulação se movimentar

Uma tubulação de CPVC aumenta de comprimento quando sua temperatura sobe e se contrai quando esfria.

Essa movimentação é maior que a encontrada em tubulações metálicas e precisa ser considerada principalmente em trechos longos aparentes.

O projeto pode precisar prever:

  • pontos fixos;
  • suportes deslizantes;
  • mudanças de direção capazes de absorver movimento;
  • braços de expansão;
  • folgas em passagens por paredes e lajes;
  • espaçamento correto entre suportes.

O FlowGuard informa que a expansão térmica do CPVC é inferior à de materiais como PPR e PEX, embora ainda seja significativamente maior que a dos metais.

Por isso, comparado ao PPR, o CPVC pode apresentar uma vantagem em trechos longos sujeitos a grandes variações de temperatura.

Mas “dilata menos” não significa “não dilata”.

Isolamento térmico vale a pena?

Em muitas instalações, sim.

Mesmo materiais plásticos possuindo condutividade térmica bem menor que a do cobre, a água quente continua perdendo calor para o ambiente.

O isolamento térmico pode:

  • reduzir perdas de energia;
  • manter a água quente por mais tempo;
  • diminuir o tempo necessário para chegar água quente ao ponto de consumo;
  • reduzir desperdício de água;
  • evitar aquecimento indesejado de elementos próximos.

Em redes de recirculação, onde a tubulação permanece quente durante períodos prolongados, esse cuidado se torna ainda mais importante.

Conexões roscadas e fita veda rosca

instalação de fita veda rosca de forma correta

A rede de CPVC inevitavelmente encontrará componentes metálicos.

Aquecedores, registros, misturadores, torneiras e diversos aparelhos utilizam conexões rosqueadas.

Nessas transições, utilize as peças específicas do sistema, normalmente com inserto metálico.

Quando houver utilização de fita de PTFE, conhecida como fita veda rosca, aplique-a sobre a rosca macho.

A rosca deve estar limpa e sem danos.

Enrole a fita no mesmo sentido em que a conexão será apertada, mantendo-a bem assentada nos filetes.

Evite excesso de fita e não deixe material bloqueando a abertura da tubulação.

Comece o rosqueamento manualmente e finalize com ferramenta adequada.

E cuidado com o aperto excessivo.

Ao unir uma peça metálica a uma conexão plástica, força exagerada pode trincar ou danificar o adaptador. Mais força não significa maior estanqueidade.

CPVC, PPR ou cobre?

As três soluções podem produzir excelentes redes de água quente quando corretamente projetadas e instaladas.

A diferença está principalmente em custo, método de execução e características do material.

CPVC

Vantagens:

  • baixo peso;
  • não sofre corrosão;
  • instalação relativamente simples;
  • não necessita termofusora;
  • boa resistência térmica;
  • menor expansão térmica que o PPR;
  • custo geralmente competitivo.

Desvantagens:

  • possui limite de temperatura que precisa ser respeitado;
  • a resistência à pressão diminui com o aumento da temperatura;
  • exige adesivo específico e respeito ao tempo de cura;
  • pode sofrer danos por calor externo excessivo;
  • precisa considerar dilatação em trechos longos.

PPR

Vantagens:

  • serve para água quente e fria conforme a classe;
  • não utiliza adesivos;
  • uniões termofundidas muito confiáveis quando bem executadas;
  • não sofre corrosão;
  • boa durabilidade.

Desvantagens:

  • necessita termofusora;
  • exige treinamento específico;
  • apresenta dilatação térmica relativamente elevada;
  • termofusão mal executada pode reduzir a passagem interna;
  • uma junta termofundida não pode simplesmente ser desmontada.

Cobre

Vantagens:

  • excelente resistência a altas temperaturas;
  • grande resistência mecânica;
  • longa tradição de uso;
  • menor dilatação térmica que os materiais plásticos;
  • dimensões externas relativamente compactas.

Desvantagens:

  • custo de material normalmente superior;
  • instalação exige maior especialização;
  • conexões e soldagem aumentam o custo de mão de obra;
  • pode sofrer processos de corrosão em determinadas condições;
  • possui alta condutividade térmica e normalmente merece atenção especial ao isolamento.

E qual deles custa menos?

Não existe uma resposta única porque diâmetros equivalentes nem sempre são iguais entre os sistemas e as conexões possuem preços muito diferentes.

Como referência atual de varejo, encontramos tubo CPVC Aquatherm de 22 mm × 3 m por cerca de R$ 60.

Um tubo PPR PN20 de 20 mm × 3 m aparece na mesma faixa, próximo de R$ 55 a R$ 60.

Ou seja, em pequenos diâmetros, CPVC e PPR podem apresentar preços bastante próximos.

Já o cobre tende a resultar em custo maior no conjunto da instalação, especialmente quando somamos tubos, conexões e mão de obra especializada.

Por outro lado, comparar apenas o preço de uma barra de tubo pode enganar.

Precisamos considerar:

  • quantidade e preço das conexões;
  • custo da mão de obra;
  • ferramentas necessárias;
  • tempo de execução;
  • isolamento térmico;
  • facilidade de manutenção;
  • durabilidade esperada.

Para pequenas obras residenciais, o CPVC costuma ser uma solução bastante competitiva justamente por dispensar equipamentos especiais de termofusão ou soldagem metálica (cobre).

Cuidado próximo ao aquecedor

Além da temperatura da própria água, existe outra fonte de calor que pode prejudicar materiais plásticos: a chaminé de aquecedores a gás.

O CPVC não deve ficar submetido diretamente ao calor irradiado por uma chaminé ou partes muito quentes do equipamento.

O FlowGuard, por exemplo, recomenda cuidados específicos e afastamento em relação a chaminés não isoladas, podendo exigir trecho metálico ou solução equivalente conforme o equipamento. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Portanto, siga simultaneamente as instruções do fabricante da tubulação e do aquecedor. Um tubo próprio para água a 70°C não significa que ele goste de ficar encostado em uma chaminé muito mais quente.

Teste antes de revestir as paredes

Depois de concluir a instalação, não esconda imediatamente tudo com argamassa, revestimento ou forro.

Faça o ensaio de estanqueidade previsto para o sistema.

Observe especialmente:

  • juntas coladas;
  • conexões de transição;
  • roscas;
  • registros;
  • ligações com o aquecedor;
  • pontos de mistura.

Respeite o tempo de cura do adesivo antes da pressurização.

Também é importante testar a instalação nas condições previstas de funcionamento e verificar se não existem ruídos, esforços ou movimentações anormais.

A parede ainda aberta é o melhor momento para encontrar um vazamento.

Fotografe a instalação

Antes de fechar os rasgos, fotografe toda a rede.

Registre:

  • trajeto dos tubos;
  • derivações;
  • registros;
  • pontos de água quente;
  • ligações do aquecedor;
  • passagens por paredes e lajes;
  • mudanças de direção.

Se possível, coloque uma trena na fotografia para criar referência dimensional.

Anos depois, quando alguém quiser instalar um espelho ou armário, essas imagens poderão impedir que a broca encontre exatamente o tubo de água quente.

O projeto mostra onde o tubo deveria estar. A fotografia mostra onde ele realmente ficou.


Resumo

  • O CPVC é uma solução específica para redes de água quente e também pode ser utilizado em outras aplicações previstas pelo fabricante.
  • Ele possui resistência térmica muito superior à do PVC marrom convencional.
  • A temperatura máxima de trabalho depende da linha, pressão e especificação do fabricante.
  • Sistemas FlowGuard trabalham continuamente em torno de 82°C, conforme suas condições de pressão.
  • Falhas no controle do aquecedor podem provocar temperaturas acima da condição prevista e danificar a tubulação.
  • Utilize somente tubos, conexões e adesivos compatíveis com CPVC.
  • Não pressurize a instalação antes do tempo de cura indicado.
  • Considere a dilatação térmica em trechos longos.
  • O CPVC dilata mais que o cobre, mas normalmente menos que o PPR.
  • Utilize conexões de transição apropriadas nos encontros com componentes metálicos.
  • Evite aperto excessivo nas conexões rosqueadas.
  • Proteja a tubulação do calor direto de chaminés e partes quentes de aquecedores.
  • CPVC e PPR podem apresentar custos próximos, enquanto o cobre costuma resultar em instalação mais cara.
  • A comparação de custos deve considerar tubos, conexões, mão de obra e ferramentas.
  • Teste toda a rede antes de fechar paredes e forros.
  • Fotografe as tubulações antes que desapareçam dentro da construção.

O CPVC ocupa um interessante meio-termo nas instalações de água quente: é leve como um tubo plástico, dispensa a termofusora do PPR e evita a soldagem utilizada nas antigas instalações de cobre.

Mas essa facilidade não elimina os cuidados com temperatura, pressão, dilatação, adesivo e aquecedor.

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