Instalação de registros em redes hidráulicas
O registro hidráulico costuma ser lembrado somente quando alguma coisa dá errado. E justamente nessa hora descobrimos se ele foi bem escolhido, bem localizado e instalado corretamente.
Registros são peças relativamente pequenas dentro de uma instalação hidráulica, mas possuem uma função importantíssima: controlar ou interromper a passagem da água.
Imagine precisar trocar uma torneira da cozinha e descobrir que a única maneira de interromper a água é fechar o registro geral da casa. Ou precisar fazer manutenção em um banheiro e deixar toda a família sem água durante algumas horas.
É por isso que uma boa instalação não pensa apenas em fazer a água chegar aos pontos de consumo. Ela também precisa imaginar o dia em que alguma torneira, ligação flexível, válvula ou conexão precisará de manutenção.
Existem registros metálicos e registros fabricados em materiais plásticos, como PVC e CPVC. Nas instalações residenciais tradicionais, os registros metálicos são frequentemente ligados às tubulações por conexões roscadas, enquanto diversas linhas plásticas possuem versões soldáveis, instaladas com adesivos próprios para o sistema.
Independentemente do material, utilize sempre o registro compatível com a tubulação, temperatura, pressão e finalidade previstas no projeto.
Os principais tipos de registros
Em edificações residenciais e comerciais encontramos vários dispositivos que controlam a passagem da água. Os três registros mais comuns são o registro de gaveta, o registro de esfera e o registro de pressão.
Registro de gaveta
O registro de gaveta é tradicionalmente utilizado para interromper totalmente o fluxo de água em uma tubulação.
Quando aberto, deve permanecer totalmente aberto. Quando for necessário fazer manutenção, é fechado completamente. Ele não foi desenvolvido para trabalhar constantemente meio aberto, regulando a quantidade de água.
É muito utilizado como registro geral, registro de ramal, em barriletes e em pontos onde precisamos simplesmente permitir ou impedir a passagem da água.
Registro de esfera
O registro de esfera possui internamente uma esfera perfurada. Normalmente, basta girar sua alavanca ou acionamento cerca de um quarto de volta para abrir ou fechar a passagem.
Quando totalmente aberto, oferece passagem bastante livre para a água e apresenta operação rápida.
É muito utilizado em instalações aparentes, casas de máquinas, barriletes, bombas e áreas técnicas.
Particularmente, considero o registro de esfera uma excelente solução para barriletes, principalmente pela rapidez de operação e facilidade de perceber visualmente se está aberto ou fechado.
Registro de pressão
O registro de pressão possui outra função: regular a vazão durante o uso.
O exemplo mais conhecido é o registro do chuveiro. Você não quer apenas água totalmente aberta ou totalmente fechada. Quer escolher quanto de água deve passar.
Também pode ser empregado em banheiras, duchas, determinados filtros, pontos de água potável e outras situações onde o controle gradual da vazão seja desejável.
Essa diferença parece pequena, mas é importante: registro de gaveta e registro de esfera são normalmente utilizados para bloqueio; registro de pressão é utilizado para regulagem da vasão.
Registros no barrilete
O barrilete é o conjunto de tubulações próximo ao reservatório que distribui a água para diferentes regiões da edificação.
Em uma residência maior, podemos ter ramais separados para:
- cozinha;
- área de serviço;
- suíte;
- banheiro social;
- pavimento superior;
- área externa.
É um excelente local para instalar registros capazes de interromper individualmente cada um desses ramais.
Nesse ponto podem ser utilizados registros de gaveta ou de esfera. Como normalmente ficam em área técnica, sobre a laje ou junto ao reservatório, não existe necessidade de acabamento decorativo.
São muito utilizados os chamados registros brutos: possuem o mecanismo necessário para operação, mas não recebem canopla e volante decorativo semelhante aos utilizados dentro de banheiros.
Além de custarem menos, são perfeitamente adequados para locais onde a estética não é importante.
Vale também colocar uma pequena etiqueta identificando cada registro. “Banheiro da suíte” é uma informação muito mais útil do que deixar seis registros iguais e descobrir a função de cada um por tentativa e erro.
Registros setoriais facilitam a vida
Além dos registros instalados no barrilete, é recomendável prever registros setoriais próximos aos ambientes atendidos.
Um banheiro, por exemplo, pode possuir um registro que interrompe somente a alimentação daquele ambiente. A cozinha pode ter outro. O mesmo vale para áreas de serviço ou outras regiões importantes da instalação.
Em obras de padrão mais simples é comum existir apenas o registro geral da residência. Isso não significa necessariamente um erro técnico. A instalação pode funcionar normalmente. O inconveniente aparece durante a manutenção. Se houver vazamento em um flexível do banheiro, será necessário fechar a água de toda a casa. Enquanto alguém troca uma peça que custa poucos reais, cozinha, lavanderia e demais banheiros ficam temporariamente sem abastecimento.
Os registros setoriais custam relativamente pouco quando instalados durante a construção e tornam a manutenção futura muito mais confortável.
Escolha cuidadosamente a posição do registro
Não basta decidir que haverá um registro no banheiro. Também precisamos decidir onde ele ficará.
Em muitas obras, registros setoriais são instalados aproximadamente a 2,20 m de altura, deixando-os fora da região ocupada pelos principais aparelhos e acessórios. Essa altura, porém, não deve ser tratada como uma regra universal.
Antes de definir a posição, observe o projeto de arquitetura e verifique se naquele ponto haverá:
- armário;
- espelho;
- box;
- toalheiro;
- prateleira;
- nichos;
- outros acessórios.
Um registro tecnicamente perfeito instalado exatamente atrás de um armário planejado deixa de ser uma solução muito inteligente. O objetivo é encontrar um local acessível, discreto e livre de interferências.
A profundidade dentro da parede é importante
Registros embutidos possuem uma parte que fica escondida dentro da parede e outra que permanecerá acessível depois da instalação do acabamento.
Essa profundidade precisa ser definida considerando:
- espessura do emboço;
- argamassa de assentamento;
- espessura do revestimento;
- posição final da canopla;
- limites indicados pelo fabricante.
Se o registro ficar muito dentro da parede, o acabamento pode não alcançar corretamente o mecanismo. Se ficar muito para fora, a canopla pode não encostar na parede.
Fabricantes fornecem gabaritos ou indicações de profundidade justamente para evitar esse problema.
Portanto, não posicione o registro simplesmente alinhando sua extremidade com a alvenaria ainda sem revestimento. Quem manda é o plano da parede acabada.
Esse cuidado é especialmente importante em banheiros revestidos com porcelanato ou outros materiais caros. Depois de tudo terminado, descobrir que o acabamento do registro não encaixa corretamente é um problema pequeno em tamanho, mas grande em aborrecimento.
Registro bruto e acabamento são coisas diferentes
Em áreas técnicas, podemos utilizar um registro bruto sem preocupação estética. Dentro do banheiro, porém, a situação muda.
A parte interna do registro fica escondida na parede, enquanto externamente aparecem a canopla e o volante, ou alavanca de acionamento.
Os fabricantes oferecem dezenas de linhas de acabamento.
Existem modelos:
- cromados;
- dourados;
- pretos;
- escovados;
- brancos;
- com formas redondas;
- quadradas;
- minimalistas;
- clássicas.
Os preços também variam bastante. Um acabamento simples pode custar pouco, enquanto determinadas linhas sofisticadas custam várias vezes mais que o próprio mecanismo instalado dentro da parede.
Por isso, é interessante definir a linha de metais sanitários antes de comprar todos os registros.
Outro detalhe importante é a compatibilidade entre base e acabamento. Nem todo acabamento serve em qualquer registro. Verifique a marca, linha e mecanismo antes da compra.
Como instalar a fita veda rosca
Nas conexões rosqueáveis, a fita de PTFE, conhecida popularmente como fita veda rosca, ajuda a preencher as pequenas folgas existentes entre os filetes e produzir uma junta estanque.
A fita deve ser aplicada sobre a rosca macho.
O procedimento básico é:
- limpar a rosca e verificar se não existem filetes danificados;
- posicionar a fita sem obstruir a passagem interna;
- enrolá-la acompanhando o sentido em que a peça será rosqueada;
- manter a fita esticada e bem assentada;
- utilizar quantidade suficiente, sem formar uma camada exageradamente grossa;
- iniciar o rosqueamento manualmente;
- finalizar o aperto conforme a orientação do fabricante.
Se a fita for enrolada no sentido errado, ela poderá se soltar e embolar durante o rosqueamento. E lembre-se: uma montanha de fita veda rosca não transforma uma conexão ruim em uma conexão boa.
Cuidado com o aperto excessivo
Existe uma tendência bastante comum na obra: se começou a pingar, pegue uma chave maior e aperte mais. Até certo ponto, o aperto é necessário. Depois desse ponto, a solução pode virar outro problema.
Ao rosquear um registro metálico em um adaptador plástico, por exemplo, o excesso de força pode trincar o adaptador. Também é possível danificar o próprio registro, deformar roscas ou transmitir esforços indesejados para a tubulação.
Por isso, o encaixe deve começar manualmente. Utilize ferramentas adequadas e respeite as recomendações do fabricante.
Se uma conexão necessita de força absurda para parar de vazar, vale a pena investigar se a rosca está correta, se há desalinhamento ou se o material de vedação foi aplicado adequadamente. Força não substitui montagem correta.
Proteja o registro durante a obra
Depois que o registro foi instalado, ainda faltam várias etapas até o banheiro ficar pronto. Virão chapisco, emboço, argamassa, revestimento, rejunte, pintura e limpeza.
Durante esse período, proteja o mecanismo e principalmente as peças de acabamento.
Respingos de argamassa, cimento, rejunte, produtos de limpeza agressivos e outros produtos químicos podem manchar ou danificar o registro. Os acabamentos cromados, pintados, dourados ou escovados devem receber os cuidados indicados pelo fabricante.
Uma boa prática é deixar a peça decorativa protegida e instalar o acabamento definitivo mais próximo da conclusão da obra.
Não faz muito sentido comprar um acabamento caro e deixá-lo durante meses recebendo respingos de cimento enquanto o prédio ainda está em execução.
Guarde os registros com cuidado no canteiro de obra
Registros, mecanismos e principalmente acabamentos sanitários possuem uma combinação complicada para qualquer canteiro: são pequenos, possuem valor relativamente alto e cabem facilmente dentro de uma mochila.
Por essa razão, não é recomendável distribuir antecipadamente caixas de registros e acabamentos por vários ambientes da obra. Mantenha esses materiais em local organizado e trancado e entregue às equipes conforme a necessidade de instalação.
Isso facilita:
- controle de estoque;
- conferência das peças;
- redução de perdas;
- proteção contra danos;
- redução de furtos.
Essa recomendação vale especialmente para os acabamentos mais sofisticados, que podem representar um valor considerável quando multiplicados por todos os banheiros da edificação.
Pense na manutenção antes de escolher o registro
Nenhum registro hidráulico é eterno. Ao longo da vida útil da edificação, componentes internos podem desgastar, apresentar dificuldade de acionamento, deixar passar água mesmo fechados ou começar a vazar.
Isso vale para registros de gaveta, esfera, pressão e praticamente qualquer outro mecanismo. Por isso, ao escolher um registro, não observe apenas:
- preço;
- aparência;
- marca;
- facilidade de instalação.
Observe também a possibilidade de manutenção futura.
Verifique se o fabricante comercializa mecanismos de reposição, reparos, vedações e peças compatíveis. Há registros projetados para permitir substituição do mecanismo sem quebrar a parede, o que representa uma vantagem importante ao longo dos anos.
Também vale pensar na permanência da linha no mercado. Um acabamento muito exclusivo pode ser bonito hoje, mas daqui a quinze anos talvez não se encontre uma peça de reposição compatível.
Em um item embutido dentro de uma parede revestida, facilidade de manutenção vale dinheiro.
Resumo
- Registros são utilizados para interromper ou controlar a passagem da água.
- Existem registros metálicos e registros fabricados em PVC, CPVC e outros materiais.
- O registro de gaveta é utilizado principalmente para bloqueio e deve trabalhar normalmente totalmente aberto ou fechado.
- O registro de esfera é uma excelente alternativa para barriletes e instalações aparentes.
- O registro de pressão é utilizado quando precisamos controlar gradualmente a vazão.
- Registros setoriais permitem fazer manutenção sem deixar todo o imóvel sem água.
- Escolha cuidadosamente a posição para não interferir com armários, espelhos e acessórios.
- Respeite a profundidade de instalação indicada pelo fabricante, considerando a parede já revestida.
- Em áreas técnicas podem ser utilizados registros brutos; nos ambientes acabados normalmente são instaladas peças decorativas.
- Existem acabamentos de diversos estilos, cores e faixas de preço.
- Verifique sempre a compatibilidade entre o acabamento e a base do registro.
- Aplique corretamente a fita veda rosca e evite aperto excessivo.
- Proteja acabamentos contra cimento, argamassa e produtos químicos utilizados durante a obra.
- Mantenha registros e acabamentos de maior valor armazenados em local seguro até sua instalação.
- Escolha produtos que permitam manutenção e reposição de componentes no futuro.
O registro ocupa poucos centímetros de uma instalação hidráulica, mas pode determinar se uma manutenção futura será resolvida em dez minutos ou transformará toda a casa em um canteiro de obras.
Escolha o tipo correto, instale-o na posição certa, respeite a profundidade indicada pelo fabricante e pense sempre em quem precisará consertá-lo daqui alguns anos.