Instalação de válvula de descarga Hydra
A descarga parece uma operação simples: apertamos um botão e esperamos que tudo desapareça. Para isso acontecer, porém, pressão, tubulação, válvula e vaso sanitário precisam trabalhar perfeitamente juntos.
A tradicional válvula de descarga Hydra está presente há décadas nos banheiros brasileiros e continua sendo uma solução bastante utilizada.
Diferentemente da bacia com caixa acoplada, ela não possui um pequeno reservatório junto ao vaso. A válvula fica embutida na parede e libera diretamente para a bacia a água proveniente da rede hidráulica.
Isso proporciona uma descarga rápida e vigorosa, mas exige que a instalação tenha vazão e pressão suficientes.
Antes de escolher o sistema, vale conhecer as principais alternativas disponíveis.
Existem diferentes maneiras de dar descarga
As bacias sanitárias podem utilizar diferentes sistemas. Cada solução possui vantagens e desvantagens.
Válvula de descarga embutida
É o sistema abordado neste artigo. A válvula fica dentro da parede e é alimentada diretamente pela rede de água.
Vantagens:
- ocupa pouco espaço;
- deixa o banheiro visualmente limpo;
- oferece descarga rápida e geralmente vigorosa;
- permite outra descarga imediatamente, desde que a rede possua vazão e pressão suficientes;
- possui mecanismos internos reparáveis pela parte frontal em muitos modelos.
Desvantagens:
- exige tubulação de alimentação de maior capacidade;
- depende da pressão disponível;
- o corpo da válvula fica embutido na parede;
- uma substituição completa da base pode exigir quebra do revestimento;
- modelos antigos ou mal regulados podem consumir bastante água.
Caixa de descarga embutida
Nesse sistema, o reservatório também fica escondido dentro da parede.
A vantagem é o ótimo aspecto visual e a possibilidade de utilizar volumes controlados de descarga. A desvantagem é possuir mais componentes escondidos, razão pela qual é fundamental prever acesso adequado para manutenção.
Caixa de descarga de sobrepor
A caixa fica aparente na parede, normalmente acima ou próxima da bacia.
É uma solução simples, econômica e fácil de manter. Em compensação, ocupa espaço visual e normalmente apresenta acabamento menos sofisticado.
Bacia com caixa acoplada
É atualmente uma das soluções mais comuns em residências. O reservatório fica diretamente sobre a parte traseira da bacia.
Possui instalação simples, manutenção acessível e pode oferecer descarga de duplo acionamento para economia de água.
Como desvantagem, ocupa mais espaço que uma bacia alimentada por válvula embutida e é necessário aguardar o reservatório se encher antes de uma nova descarga completa.
A Hydra ainda gasta muita água?
Durante muitos anos, as válvulas de descarga ficaram conhecidas pelo elevado consumo de água.
Instalações antigas, principalmente quando mal reguladas, podiam liberar volumes próximos ou superiores a 10 ou 12 litros em um único acionamento. Isso ajudou a criar a fama de que válvula de parede é sempre sinônimo de desperdício.
Hoje a situação é diferente.
Existem modelos modernos projetados para limitar o volume de descarga e versões com duplo acionamento, permitindo descargas reduzidas ou completas.
Na linha Hydra existem, por exemplo, soluções com descarga aproximada de 6 litros e modelos Duo com opções de cerca de 3 e 6 litros.
Portanto, não se deve calcular o consumo de uma válvula atual simplesmente adotando os 12 litros das antigas instalações.
Uma característica interessante do sistema continua sendo o conforto da descarga direta. Quando a instalação está corretamente dimensionada, o fluxo é rápido e eficiente e não existe um pequeno reservatório esperando encher novamente.
A válvula precisa de bastante água de uma vez
Essa é provavelmente a maior diferença entre a válvula Hydra e uma caixa de descarga.
A caixa passa alguns minutos armazenando água e depois libera o volume acumulado.
A válvula de descarga precisa receber grande vazão instantaneamente.
Por essa razão, a alimentação normalmente utiliza um ramal de maior diâmetro que aquele empregado em torneiras ou lavatórios.
Em modelos tradicionais Hydra de 1 1/2", a válvula possui entrada nominal DN40. Em instalações com PVC, é comum que o ramal correspondente utilize tubulação de 50 mm, com as conexões apropriadas.
O diâmetro definitivo, entretanto, deve seguir o projeto hidráulico e as especificações do fabricante. Não adianta possuir pressão suficiente na caixa d'água e conduzir essa água por um tubo muito pequeno. A perda de carga poderá reduzir drasticamente a vazão no momento da descarga.
A válvula não precisa apenas de pressão. Precisa de pressão e vazão trabalhando juntas.
A altura da caixa d'água faz diferença
Em sistemas alimentados por gravidade, a diferença de altura entre o nível da água no reservatório e a válvula cria a pressão disponível.
Como regra prática, vários modelos de válvula Hydra trabalham a partir de aproximadamente 2 m.c.a.
Isso significa que instalações com reservatório muito próximo da válvula podem apresentar descarga fraca, principalmente depois de consideradas as perdas de carga provocadas pelos tubos, curvas, registros e conexões.
A atual ABNT NBR 5626 estabelece que a pressão dinâmica no ponto de utilização deve ser suficiente para garantir a vazão prevista e atender às características do aparelho. Em qualquer caso, ela não pode ser inferior a 10 kPa, aproximadamente 1 m.c.a.
Para a válvula utilizada na obra, porém, deve prevalecer a pressão mínima exigida pelo fabricante. Em diversos modelos Hydra tradicionais, encontramos indicação mínima de aproximadamente 2 m.c.a.
Isso é especialmente importante em banheiros localizados imediatamente abaixo da caixa d'água.
Se a pressão for pequena, talvez seja necessário rever a altura do reservatório, o dimensionamento da tubulação ou o próprio sistema de descarga.
E pressão demais também é problema
Não pense que quanto maior a pressão, melhor. Modelos tradicionais da linha Hydra podem trabalhar em faixas que chegam a aproximadamente 40 m.c.a., equivalentes a 400 kPa, mas o valor exato depende do produto.
Pressões elevadas podem provocar excesso de vazão, ruído, esforços maiores sobre os componentes e funcionamento inadequado de algumas peças.
Em edifícios altos, pode ser necessário dividir a rede em zonas de pressão ou utilizar válvulas redutoras de pressão.
Verifique sempre os limites definidos no projeto hidráulico e na ficha técnica da válvula adquirida.
Posição da válvula e do tubo de descarga
Na fase de instalação hidráulica, o encanador normalmente instala a válvula dentro da parede e executa o tubo que desce até a futura posição da bacia sanitária.
A válvula costuma ficar aproximadamente entre 1,10 m e 1,20 m acima do piso acabado, dependendo do modelo, projeto e posição desejada para o acabamento.
A expressão mais importante dessa frase é: piso acabado.
Durante a obra, o contrapiso pode ainda não existir. Depois poderão ser acrescentados:
- regularização;
- impermeabilização;
- argamassa de assentamento;
- porcelanato ou outro revestimento.
Se o encanador medir tudo a partir da laje bruta, poderá terminar com a válvula e, principalmente, com o bocal da descarga na altura errada.
O tubo que sai da válvula precisa terminar exatamente na posição necessária para conexão com a entrada da bacia especificada. Antes de executar esse trecho, confira o desenho técnico do vaso sanitário que será instalado.
Alguns centímetros de erro escondidos dentro da parede podem virar muitos centímetros de parede quebrada mais tarde.
A profundidade da válvula também precisa estar correta
Além da altura, existe outro cuidado fundamental: a profundidade do corpo da válvula dentro da parede.
A instalação deve considerar a espessura final de:
- emboço;
- argamassa;
- revestimento cerâmico ou porcelanato.
A base possui uma região prevista pelo fabricante para coincidir com o plano da parede acabada.
Se ficar muito profunda, poderá haver dificuldade para instalar o acabamento. Se ficar excessivamente para fora, a canopla poderá não encostar corretamente no revestimento.
Por isso, preserve a capa protetora e as referências fornecidas com a válvula durante a execução da parede.
Acabamento é comprado separadamente em muitas linhas
Depois da parede revestida, instala-se a parte que realmente ficará visível.
Os fabricantes oferecem grande variedade de acabamentos para válvulas de descarga:
- cromado;
- branco;
- preto;
- dourado;
- escovado;
- modelos redondos;
- quadrados;
- linhas clássicas ou minimalistas;
- acionamento simples ou duplo.
Em muitas linhas, a base da válvula e o acabamento são vendidos separadamente. Isso permite instalar a parte hidráulica durante a obra e escolher posteriormente o acabamento compatível com os metais do banheiro.
Mas confira a compatibilidade. Nem todo acabamento serve em qualquer base ou mecanismo.
Proteja o acabamento durante a obra
Uma válvula cromada ou dourada não combina muito bem com respingos de cimento.
Argamassa, rejunte, tintas e principalmente produtos químicos agressivos utilizados na limpeza final podem manchar ou atacar o acabamento.
O ideal é manter as peças decorativas guardadas e instalá-las mais próximo da conclusão do banheiro.
Durante a fase de revestimento, preserve também as proteções fornecidas pelo fabricante sobre o corpo embutido.
Na limpeza final, utilize apenas produtos recomendados para aquele acabamento.
Como utilizar fita veda rosca
Nas conexões roscadas da instalação, pode ser utilizada fita de PTFE, popularmente conhecida como fita veda rosca.
A fita deve ser aplicada sobre a rosca macho.
Alguns cuidados básicos:
- limpe previamente a rosca;
- verifique se os filetes não estão danificados;
- enrole a fita no mesmo sentido do aperto da conexão;
- mantenha-a bem assentada;
- não obstrua a abertura da tubulação;
- evite uma camada exageradamente grossa;
- comece o rosqueamento manualmente.
Depois faça o aperto utilizando ferramenta adequada.
Mais fita e uma chave maior não são substitutos para uma rosca bem executada.
Aperto excessivo pode danificar conexões, principalmente quando existe transição entre componentes metálicos e adaptadores plásticos.
Manutenção da válvula Hydra
Uma vantagem importante das válvulas embutidas tradicionais é que boa parte da manutenção pode ser feita pela abertura frontal, depois de retirado o acabamento.
Com o passar dos anos podem ocorrer:
- vazamento contínuo para dentro da bacia;
- dificuldade de acionamento;
- descarga muito longa;
- descarga fraca;
- desgaste de vedações;
- acúmulo de sujeira no mecanismo.
Às vezes basta substituir um anel de vedação, reparo ou componente interno.
Por isso, utilizar marcas com disponibilidade de peças de reposição representa uma grande vantagem. Não é normal quebrar a parede para cada manutenção da válvula.
A demolição parcial passa a ser necessária principalmente quando existe defeito no corpo da válvula embutido, dano nas conexões ou necessidade de substituir completamente uma base incompatível.
É justamente por isso que o corpo deve ser corretamente instalado e protegido durante a obra.
Resumo
- A válvula Hydra é uma das alternativas para descarga de bacias sanitárias, juntamente com caixas embutidas, caixas de sobrepor e caixas acopladas.
- Ela ocupa pouco espaço e proporciona descarga rápida, mas necessita de boa vazão e pressão.
- Modelos atuais não devem ser automaticamente associados ao antigo consumo de cerca de 12 litros.
- Existem versões que trabalham com aproximadamente 6 litros e modelos de duplo acionamento com volumes reduzidos.
- O ramal de alimentação precisa ser dimensionado para a elevada vazão instantânea exigida pela válvula.
- Em sistemas convencionais Hydra de 1 1/2", a entrada da válvula é normalmente DN40.
- A pressão mínima deve atender à ficha técnica do modelo escolhido; em vários modelos Hydra encontramos aproximadamente 2 m.c.a.
- Há modelos com pressão máxima de funcionamento de até 40 m.c.a., mas sempre confira o produto específico.
- A altura usual da válvula fica aproximadamente entre 1,10 m e 1,20 m do piso acabado.
- A posição do tubo de descarga precisa ser compatível com a bacia sanitária escolhida.
- Considere sempre a altura final do piso e a espessura final do revestimento da parede.
- A base e o acabamento frequentemente são comercializados separadamente.
- Proteja os acabamentos contra cimento, argamassa, rejunte e produtos químicos.
- Utilize corretamente a fita veda rosca e não aperte excessivamente as conexões.
- A maioria dos reparos do mecanismo pode ser realizada pela parte frontal, sem quebrar a parede.
A válvula Hydra é uma solução antiga apenas no tempo de mercado. Quando corretamente dimensionada e instalada, continua sendo prática, discreta e eficiente.
O segredo está principalmente naquilo que depois ninguém verá: diâmetro correto da alimentação, pressão suficiente, altura exata e corpo da válvula bem posicionado dentro da parede.