Instalação de bacia sanitária
A bacia sanitária costuma ser instalada quando a obra já está quase acabada. Por isso, além de saber instalar a louça, o encanador precisa saber trabalhar sem estragar aquilo que já ficou pronto.
A instalação das louças sanitárias acontece normalmente nas etapas finais da construção, quando pisos e revestimentos já foram executados, paredes estão pintadas e começam a chegar armários, luminárias, metais e outros acabamentos.
Nessa fase, muda também a maneira de trabalhar dentro da obra.
O profissional deve estar com as mãos limpas, as botinas sem barro e redobrar o cuidado ao transportar ferramentas, escadas e materiais. Encostar uma mão suja em uma parede recém-pintada ou arrastar uma caixa sobre um porcelanato novo pode gerar serviços adicionais de limpeza e reparação.
Retrabalho custa caro. Instalar uma bacia corretamente e depois precisar chamar novamente pintor, azulejista ou pessoal da limpeza não é uma boa maneira de terminar a obra.
Louça sanitária é resistente no uso, mas frágil no manuseio
Bacias sanitárias são fabricadas em material cerâmico vitrificado. Depois de instaladas suportam perfeitamente as condições normais de utilização, mas durante transporte e montagem merecem muito cuidado.
Uma pancada contra o piso, uma quina ou ferramenta pode lascar ou trincar a peça.
Mantenha a louça acondicionada conforme as orientações do fabricante e, preferencialmente, desembale-a somente próximo do momento da instalação.
Se ocorrer uma trinca durante o transporte ou montagem, não utilize a peça. Fabricantes orientam inutilizar louças que sofreram rachaduras ou trincas.
Também não apoie a superfície esmaltada diretamente sobre materiais abrasivos. Um papelão limpo ou outra proteção adequada evita riscos enquanto a peça está sendo preparada.
Antes de instalar, confira as medidas
Essa talvez seja a verificação mais importante.
A rede de esgoto e os pontos de água foram instalados meses antes, quando o banheiro ainda estava em estado bruto: sem contrapiso, porcelanato, emboço ou revestimento das paredes.
Por isso, todas as medidas precisam considerar piso acabado e parede acabada.
Antes de furar qualquer coisa, consulte o manual da bacia adquirida e confira:
- posição do centro do tubo de esgoto;
- distância entre o tubo e a parede acabada;
- posição do ponto de água;
- espaço necessário para a caixa acoplada, quando houver;
- posição e tipo das fixações da bacia.
Não adote uma medida apenas porque “todas as bacias são iguais”. Existem modelos e sistemas de fixação diferentes. Os fabricantes orientam consultar as medidas específicas para bacias convencionais e com caixa acoplada.
Descobrir que o tubo de esgoto ficou cinco centímetros fora da posição depois que o porcelanato foi assentado pode significar quebrar justamente o piso que acabou de ser instalado.
Meça duas vezes para não quebrar o porcelanato nenhuma vez.
Limpeza é importante também para evitar vazamentos
Antes da instalação, limpe muito bem o piso, o tubo de espera do esgoto e as superfícies que receberão os elementos de vedação.
A ligação entre a saída da bacia e a tubulação de esgoto utiliza um anel de vedação próprio para essa finalidade. Sua função não é apenas impedir vazamentos: também evita que gases e odores da rede de esgoto retornem para o banheiro.
Poeira, areia, fragmentos de argamassa e outras sujeiras podem prejudicar o correto assentamento do anel.
Em determinados modelos, o fabricante exige que o tubo de espera seja cortado em uma altura específica em relação ao piso. Em kits da Deca, por exemplo, há modelos em que o tubo deve ficar no máximo cerca de 10 mm acima do piso acabado.
Mais uma vez: siga o manual da louça e do kit efetivamente utilizados.
Posicione primeiro, fure depois
Com as medidas conferidas, posicione a bacia no local definitivo e marque cuidadosamente os pontos de fixação.
Dependendo do modelo, a fixação pode ser vertical, lateral ou utilizar suportes próprios. Existem sistemas com dois ou mais pontos de fixação.
Retire novamente a louça e faça os furos utilizando broca compatível com o piso e com as buchas especificadas.
Antes de perfurar, confira se existem tubulações embutidas sob os pontos de fixação. Em obras novas, fotografias tiradas antes da execução do contrapiso ajudam a localizar as instalações. Em reformas, consulte os projetos disponíveis e observe a posição dos pontos hidráulicos. Detectores podem auxiliar, mas nem sempre identificam tubos plásticos. Um furo mal posicionado pode atingir a tubulação de água ou esgoto e obrigar a quebrar o piso recém-concluído.
Atenção especial em porcelanatos: comece a perfuração cuidadosamente para não trincar a peça.
Instale buchas, parafusos ou suportes conforme o kit do fabricante, coloque o anel de vedação e então assente a bacia sobre o ponto de esgoto.
Confira o alinhamento e o nivelamento antes do aperto final. Recomenda-se aperto alternado das fixações depois de posicionar e nivelar a peça.
Não aperte os parafusos exageradamente. Estamos fixando uma peça cerâmica: força excessiva pode trincar a louça.
Bacia convencional e bacia com caixa acoplada
A bacia convencional recebe a água de descarga através de uma válvula embutida na parede, a tradicional Hydra, ou de outro sistema de reservação.
Nesse caso, além da ligação com o esgoto, é necessário instalar corretamente o tubo de ligação entre a válvula e a entrada da bacia.
Depois da instalação, faça algumas descargas e verifique o funcionamento. Nas válvulas que permitem regulagem, confira se o volume e o tempo de descarga estão adequados.
Já na bacia com caixa acoplada, a caixa é montada sobre a própria louça. É necessário instalar corretamente a vedação entre caixa e bacia, fazer sua fixação e conectar o flexível ao ponto de água.
Dentro da caixa ficam os mecanismos de entrada e descarga. Muitos modelos atuais possuem acionamento duplo, como 3 e 6 litros, permitindo economizar água.
Depois da montagem, encha a caixa algumas vezes e verifique se a boia fecha corretamente, se o mecanismo interrompe totalmente a passagem da água e se não existe vazamento entre a caixa e a bacia.
Como fazer o acabamento junto ao piso?
Depois de a bacia estar corretamente instalada e testada, faça o acabamento no encontro entre sua base e o piso.
Podem ser utilizados materiais compatíveis com a louça e o revestimento, conforme orientação do fabricante. Em muitas obras encontramos silicone sanitário ou materiais de acabamento apropriados; também existem sistemas executados com rejuntes adequados.
Se utilizar silicone, escolha produto apropriado para áreas sanitárias e ambientes úmidos.
O acabamento deve ficar discreto, limpo e impedir o acúmulo de sujeira junto à base.
Evite utilizar argamassa rígida como forma de “colar” uma bacia mal fixada. A estabilidade da louça deve vir do correto apoio e do sistema de fixação previsto pelo fabricante.
Reinstalação de bacias sanitárias em reformas
Em obras de reforma é muito comum retirar uma bacia sanitária para trocar o piso, refazer a impermeabilização, pintar o banheiro ou executar algum reparo hidráulico e, depois, instalar novamente a mesma louça.
A princípio parece simples: retirar e colocar de volta. Mas alguns componentes da instalação não devem simplesmente ser reaproveitados.
Antes da retirada, feche o registro de alimentação e esvazie a bacia e, no caso de caixa acoplada, também o reservatório. Desconecte o flexível e solte cuidadosamente as fixações. Evite movimentar a louça à força: se ainda estiver presa por silicone, rejunte ou outro material de acabamento, remova primeiro essa vedação.
Depois de retirada, coloque a bacia sobre papelão, madeira protegida ou outra superfície macia e limpa. Não apoie a louça diretamente sobre entulho ou piso irregular, pois uma pequena pancada pode lascar ou trincar a peça.
Aproveite a retirada para fazer uma boa inspeção. Verifique se existem:
- trincas ou lascas na louça;
- parafusos e buchas oxidados ou danificados;
- vazamentos antigos junto ao tubo de esgoto;
- folgas ou danos no ponto de fixação;
- problemas no tubo de ligação ou flexível;
- sinais de umidade no piso.
Também é uma excelente oportunidade para limpar cuidadosamente toda a bacia, inclusive as regiões que normalmente ficam escondidas ou são de difícil acesso. Utilize água, detergente neutro e materiais de limpeza compatíveis com a louça, evitando produtos abrasivos e jatos de alta pressão diretamente sobre mecanismos, vedações ou componentes frágeis. Use luvas de proteção e mantenha a peça apoiada sobre uma superfície limpa e protegida.
Troque o anel de vedação
Um cuidado importante na reinstalação é não confiar no antigo anel de vedação entre a bacia e o tubo de esgoto.
Depois de anos comprimido, o material pode estar deformado, endurecido ou aderido às superfícies. Ao retirar a bacia, essa vedação é rompida e dificilmente voltará exatamente à condição original.
O custo de um anel novo é pequeno quando comparado ao transtorno de descobrir, depois da reforma concluída, que existe água ou odor de esgoto escapando sob a bacia.
Remova completamente os resíduos do anel antigo e limpe tanto a saída da louça quanto o tubo de esgoto antes de instalar a nova vedação.
Em reforma, anel de vedação usado deve ser tratado como peça de substituição, e não como economia.
Aproveite para substituir componentes baratos
O mesmo raciocínio vale para alguns acessórios de baixo custo. Se o flexível de alimentação estiver antigo, ressecado ou oxidado, normalmente compensa instalar um novo. Parafusos, buchas, arruelas e elementos de fixação deteriorados também devem ser substituídos.
No caso de bacia com caixa acoplada, verifique as vedações entre a caixa e a bacia e o estado dos parafusos de fixação. Se esses componentes foram desmontados e apresentam envelhecimento, aproveite a intervenção para renová-los.
Não existe vantagem em economizar alguns reais reutilizando uma vedação antiga e depois precisar desmontar novamente toda a instalação.
Cuidado: o piso novo pode mudar as medidas
Esse é um problema bastante comum em reformas.
Se o novo revestimento for assentado sobre o piso antigo, o piso acabado ficará alguns milímetros ou centímetros mais alto. Essa diferença pode alterar a posição relativa entre a bacia e o tubo de esgoto.
O mesmo acontece quando a parede recebe um novo revestimento sobre o existente: sua superfície acabada avança e pode reduzir a distância disponível atrás da caixa acoplada.
Antes de reinstalar, confira novamente as medidas recomendadas pelo fabricante. Não presuma que, porque a bacia cabia antes da reforma, continuará encaixando perfeitamente depois dela.
Também verifique se o tubo de esgoto ficou na altura adequada em relação ao novo piso acabado. Se necessário, utilize somente soluções e adaptadores tecnicamente apropriados para corrigir a instalação.
Não tente compensar um tubo fora de posição forçando a bacia.
Reaproveitar o que está em bom estado
Uma boa reforma procura reaproveitar aquilo que continua em boas condições. Mas isso não significa reaproveitar indiscriminadamente tudo que foi desmontado.
A bacia sanitária pode durar décadas e ser reinstalada várias vezes. Vedações, flexíveis e pequenos componentes de fixação custam pouco e merecem ser renovados quando necessário.
Teste antes de considerar o serviço terminado
Abra o registro e teste tudo.
Na bacia com caixa acoplada:
- aguarde o enchimento completo;
- verifique se a entrada de água fecha;
- acione a descarga várias vezes;
- observe a ligação do flexível;
- verifique a união entre caixa e bacia;
- observe a região junto ao piso.
Na bacia convencional, faça várias descargas e confira a ligação do tubo de descarga, a vedação com o esgoto e o funcionamento da válvula.
Os próprios manuais de instalação recomendam testar a estanqueidade antes de considerar o serviço concluído.
Depois dos testes, retire plásticos, fitas e proteções conforme a orientação do fabricante e faça a limpeza final sem utilizar produtos abrasivos sobre a louça.
E a manutenção futura?
A tradicional válvula de descarga embutida é um mecanismo bastante robusto e, quando utiliza componentes de boa qualidade e recebe água em condições adequadas, pode funcionar durante muitos anos com pouca manutenção. Quando necessário, vários reparos podem ser realizados pela abertura frontal da válvula, sem quebrar a parede.
Os mecanismos de caixa acoplada possuem mais componentes leves e móveis — boia, vedadores, hastes, botões e mecanismos de descarga — e podem exigir regulagens ou substituição de peças ao longo da vida útil.
A durabilidade varia bastante conforme qualidade do produto, frequência de utilização, pressão, qualidade da água e manutenção. Fabricantes inclusive disponibilizam procedimentos para regulagem dos mecanismos.
Ao escolher a bacia, portanto, observe também algo que não aparece na decoração do banheiro: a facilidade de encontrar peças de reposição daqui a alguns anos.
Resumo
- Instale as louças somente com o ambiente limpo e proteja os acabamentos já executados.
- Manuseie a bacia cuidadosamente; louça trincada não deve ser utilizada.
- Confira as medidas considerando piso e parede acabados.
- Siga sempre o desenho e o manual do modelo adquirido.
- Limpe perfeitamente o tubo de esgoto e a região do anel de vedação.
- Marque a posição da bacia antes de executar os furos.
- Utilize o sistema de fixação especificado pelo fabricante e não aperte excessivamente.
- Na caixa acoplada, confira também a vedação da caixa, flexível e mecanismos internos.
- Na bacia convencional, verifique o tubo de ligação e o funcionamento da válvula de descarga.
- Faça o acabamento junto ao piso somente depois de posicionar e testar a louça.
- Acione a descarga várias vezes e procure qualquer sinal de vazamento.
- Prefira fabricantes que mantenham mecanismos e peças de reposição disponíveis.
Instalar uma bacia sanitária não é um serviço complicado quando tudo que ficou escondido no piso e na parede foi executado no lugar certo. O segredo começa muitos meses antes da louça sair da caixa.