Instalações Hidráulicas
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Observação sobre a estimativa de custos:
O custo das conexões foi estimado como um percentual do custo da tubulação, com base na quantidade de conexões observada em um projeto hidráulico real. Esse critério permite obter uma estimativa prática e simplificada para composição do custo do serviço.
Entretanto, a quantidade e o tipo de conexões podem variar bastante conforme o projeto, o número de pontos de consumo, as mudanças de direção da tubulação e a existência de peças especiais ou conexões com insertos metálicos. Para uma estimativa mais precisa, recomenda-se levantar todas as conexões diretamente no projeto hidráulico e solicitar cotações da lista completa a diferentes fornecedores.
Rede de esgoto e de águas pluviais em tubos de PVC linha branca

Uma boa rede de esgoto é aquela que ninguém percebe: a água vai embora, os odores não voltam e nada aparece no piso ou na parede. Mas quando algo foi mal projetado ou mal executado, o problema costuma aparecer do pior jeito possível.
As instalações de esgoto sanitário e de águas pluviais são fundamentais para o funcionamento de qualquer edificação. Diferentemente da rede de água fria, que trabalha sob pressão, essas redes funcionam predominantemente por gravidade.
Isso muda bastante a forma de projetar e executar as tubulações.
Em residências e edificações comerciais, são amplamente utilizados tubos e conexões de PVC destinados a esgoto e águas pluviais, tradicionalmente identificados pela cor branca.
O material é leve, fácil de cortar, possui grande variedade de conexões e apresenta boa durabilidade quando corretamente instalado.
Mas existe uma regra importante: não basta fazer a água entrar dentro do tubo. É preciso garantir que ela continue seguindo pelo caminho correto até o destino final.
Projeto hidráulico também é importante no esgoto
Assim como ocorre com a água fria, é comum encontrar pequenas obras onde o projeto de esgoto é deixado inteiramente para o instalador definir no canteiro.
Um profissional experiente pode resolver muitas situações, mas diversas decisões precisam ser pensadas previamente.
O projeto define, entre outros aspectos:
- diâmetro das tubulações;
- declividade dos trechos horizontais;
- posição das prumadas;
- localização das caixas de inspeção;
- posição de ralos e caixas sifonadas;
- rede de ventilação;
- travessias de lajes e paredes;
- ligação final com a rede pública ou sistema de tratamento;
- trajeto das redes de águas pluviais.
As instalações prediais de esgoto sanitário devem considerar as diretrizes da ABNT NBR 8160, enquanto as instalações de águas pluviais possuem critérios próprios, tradicionalmente tratados pela ABNT NBR 10844.
Mais importante do que decorar números de normas é compreender a lógica do sistema: o esgoto precisa escoar, transportar sólidos, impedir o retorno de gases e permitir limpeza e manutenção. Uma tubulação aparentemente bem montada pode apresentar problemas sérios se faltar declividade, ventilação ou pontos de inspeção.
Tubos e conexões de PVC linha branca

Os fabricantes oferecem tubos para esgoto e águas pluviais em diferentes diâmetros, adequados desde pequenos ramais de lavatórios até grandes coletores.
Os diâmetros mais comuns em obras de pequeno e médio porte são de 40, 50, 75 e 100 mm, além de medidas superiores para aplicações específicas.
O diâmetro deve ser definido de acordo com o tipo e quantidade de aparelhos ligados à rede, vazão prevista e função da tubulação.
Entre as principais conexões encontramos:
- joelhos de 45° e 90°: utilizados para mudanças de direção;
- curvas: permitem mudanças mais suaves;
- junções: fazem derivações com entrada inclinada, muito úteis em redes de esgoto;
- tês sanitários: utilizados em determinadas derivações e prumadas;
- luvas: unem trechos de tubos;
- reduções: fazem a transição entre diâmetros;
- caps ou tampões: fecham extremidades;
- caixas e ralos sifonados: recebem vários pontos e criam barreira contra odores;
- conexões de inspeção: permitem acesso para limpeza da rede.
Em redes de esgoto, evite substituir uma conexão por outra apenas porque “também cabe”. A geometria da peça interfere diretamente no fluxo.
Um desvio suave facilita o transporte dos resíduos. Uma mudança brusca de direção pode favorecer depósitos e futuros entupimentos.
Conhecer o catálogo do fabricante continua sendo uma excelente ferramenta contra improvisações.
Ralos e caixas sifonadas
O sifão funciona como uma barreira hidráulica contra os gases existentes na rede de esgoto. Uma pequena quantidade de água permanece na caixa e forma o chamado fecho hídrico. Esse volume de água impede que os gases da tubulação retornem para o ambiente.
Nos banheiros, é muito comum utilizar caixa sifonada, que pode receber águas do chuveiro, lavatório e outros pontos.
Quando o sifão seca ou é eliminado por uma instalação incorreta, o resultado é facilmente percebido: aquele desagradável cheiro de esgoto que parece surgir sem explicação.
Também existem válvulas e dispositivos destinados a impedir retorno de esgoto em determinadas instalações. Uma válvula de retenção para esgoto pode ser utilizada em situações onde existe risco de refluxo da rede pública ou de outra parte da instalação. Esse dispositivo precisa permanecer acessível para inspeção e limpeza, pois trabalha justamente em uma tubulação que transporta resíduos.
Como unir tubos e conexões
Os sistemas de PVC para esgoto podem utilizar diferentes tipos de união conforme a linha e o diâmetro, incluindo juntas soldáveis ou juntas com anel de vedação.
Quando a conexão for soldável, o procedimento deve seguir as instruções do fabricante:
- Corte o tubo no esquadro.
- Retire rebarbas internas e externas.
- Faça uma montagem a seco para conferir posição e medida.
- Limpe corretamente as superfícies.
- Aplique o adesivo indicado para o sistema.
- Encaixe imediatamente as peças na posição correta.
- Retire o excesso de adesivo.
- Respeite o período de cura antes de colocar a rede em serviço.
Nas juntas com anel de borracha, a limpeza continua sendo fundamental. O anel deve estar corretamente posicionado e deve-se utilizar o lubrificante indicado para a montagem.
Não use óleo, graxa ou produtos improvisados sem saber se são compatíveis com a borracha.
E nunca aqueça tubo com fogo para “facilitar” encaixes ou fabricar curvas. Se existe uma conexão apropriada, use a conexão apropriada.
A declividade faz a rede funcionar

Nas tubulações horizontais de esgoto, a água não possui uma bomba empurrando os resíduos. É a gravidade que faz o trabalho. Por isso, a declividade é uma das características mais importantes da instalação.
Se o tubo ficar praticamente nivelado, a água perde velocidade e resíduos podem se depositar.
Também não se deve imaginar que “quanto maior a caída, melhor”. Declividades excessivas podem provocar comportamento inadequado do escoamento em determinadas situações. O correto é seguir a declividade prevista no projeto para cada diâmetro e trecho.
Durante a execução, confira o caimento com nível, régua, nível a laser ou outro método adequado antes de fechar a vala ou revestir a tubulação.
Um erro de poucos centímetros pode ficar escondido durante anos até começar a provocar entupimentos.
Não esqueça da ventilação do esgoto
A ventilação sanitária é uma das partes menos visíveis e, por isso, uma das mais esquecidas das instalações.
Quando uma descarga movimenta rapidamente grande volume de água dentro de um tubo, ocorrem variações de pressão no interior da rede. Sem ventilação adequada, essas diferenças de pressão podem interferir nos fechos hídricos dos sifões.
Em situações desfavoráveis, a água do sifão pode ser parcialmente aspirada, deixando caminho livre para gases e odores entrarem no banheiro.
A rede de ventilação ajuda a equilibrar essas pressões e conduz gases para um ponto adequado acima da cobertura.
Portanto, quando alguém propõe eliminar um tubo de ventilação porque “ele não leva esgoto”, está eliminando justamente uma peça que ajuda toda a rede a funcionar corretamente.
Tubo de ventilação não é desperdício de material. É parte do sistema sanitário.
Tubulações enterradas: cuidado com as valas
Redes externas de esgoto e águas pluviais são frequentemente instaladas dentro de valas. Quanto mais profunda for a escavação, maior precisa ser o cuidado com a segurança.
As paredes de uma vala podem desmoronar repentinamente, principalmente em solos pouco coesivos, terrenos molhados, locais próximos de aterros ou durante períodos de chuva.
O simples fato de a vala ter permanecido aberta durante algumas horas não significa que esteja estável.
Dependendo da profundidade, características do solo, presença de água e condições do local, podem ser necessários:
- taludes adequados;
- escoramento das paredes;
- retirada ou controle da água;
- acesso seguro para os trabalhadores;
- isolamento da área;
- controle do material escavado próximo à borda.
Nunca coloque um trabalhador dentro de uma vala profunda sem avaliar previamente o risco de desmoronamento. Um metro cúbico de solo pesa facilmente mais de uma tonelada. Um pequeno deslizamento pode provocar acidente gravíssimo.
Assente os tubos sobre uma base regular
Depois da escavação, não é recomendável simplesmente jogar o tubo no fundo irregular da vala. Pedras, torrões duros e pontos salientes podem criar apoios concentrados.
Uma boa prática é preparar um berço regular com material adequado, frequentemente areia, permitindo que o tubo fique continuamente apoiado e na declividade prevista.
A base também facilita pequenos ajustes de nível durante a montagem. O tubo deve ficar apoiado ao longo de seu comprimento, e não apenas em alguns pontos.
Nas regiões das bolsas das conexões, pode ser necessário conformar ligeiramente o berço para que a bolsa não levante o tubo e altere sua inclinação.
Reaterro: não quebre o tubo depois de instalá-lo
Uma rede perfeitamente montada pode ser danificada em poucos minutos durante o reaterro. Imagine jogar diretamente sobre um tubo de PVC uma pedra grande retirada da escavação.O tubo pode trincar, deformar ou sofrer uma pequena fissura que só será percebida depois de toda a obra concluída.
O primeiro material colocado ao redor da tubulação deve ser adequado e sem elementos capazes de danificá-la. O preenchimento deve envolver lateralmente o tubo e ser executado de maneira gradual.
Somente depois de formada uma camada de proteção suficiente deve-se prosseguir com o restante do reaterro conforme as condições do projeto.
Também é preciso cuidado com compactadores pesados diretamente sobre tubulações ainda pouco recobertas.
Esgoto e águas pluviais são redes diferentes
Embora possam utilizar tubos semelhantes em alguns trechos, esgoto sanitário e águas pluviais não devem ser tratados como uma única rede.
A rede de esgoto conduz águas servidas provenientes de vasos sanitários, chuveiros, lavatórios, cozinhas e outros aparelhos para o sistema público de esgotamento ou para a solução de tratamento prevista.
A rede de águas pluviais recebe água de telhados, calhas, ralos externos e áreas descobertas.
Não se deve lançar esgoto sanitário na rede pública de águas pluviais.
Além de irregular, essa ligação pode lançar esgoto praticamente sem tratamento em galerias que frequentemente descarregam em córregos e rios.
O inverso também é problemático: despejar grandes volumes de água de chuva dentro da rede de esgoto pode sobrecarregar sistemas de tratamento de esgoto que não foram dimensionados para um grande volume proveniente de chuvas torrenciais.
Na obra, identifique claramente cada rede e acompanhe as ligações finais.
Teste antes de esconder a instalação
Depois de concluída a montagem, faça as verificações antes de fechar paredes, pisos, shafts ou valas.
Primeiro confira visualmente:
- inclinação dos tubos;
- posição das conexões;
- encaixe das juntas;
- apoios e fixações;
- pontos de inspeção;
- ralos e caixas sifonadas;
- rede de ventilação.
Depois, teste a instalação e verifique o escoamento regular da água.
Em redes sanitárias, testes com água podem ajudar a verificar estanqueidade de trechos e conexões. O procedimento deve respeitar o projeto, a norma aplicável e as orientações do fabricante.
Em tubulações enterradas, faça a inspeção antes do reaterro definitivo. Depois que houver uma tonelada de terra por cima, encontrar uma conexão vazando será bem mais trabalhoso.
Também vale lançar água nos principais pontos e observar se o escoamento ocorre normalmente, sem empoçamentos, refluxos ou vazamentos.
Registre tudo com fotografias
Assim como recomendamos para a rede de água fria, fotografe as instalações antes de escondê-las.
Depois que o piso estiver concretado, a parede revestida e o jardim pronto, será difícil saber exatamente onde passa um coletor.
Faça fotos gerais e aproximadas, registrando:
- posição dos tubos;
- caixas de inspeção;
- mudanças de direção;
- junções;
- prumadas;
- tubos de ventilação;
- travessias de paredes e fundações.
Quando possível, coloque uma trena ou outro elemento de referência na fotografia.
Organize os arquivos por ambiente ou setor da obra e guarde uma cópia junto com a documentação final.
O projeto mostra onde a tubulação deveria passar. A fotografia mostra onde ela realmente passou. Daqui a dez anos, quando alguém quiser executar uma fundação para um muro, plantar uma árvore ou cortar o piso para uma reforma, essa informação poderá evitar uma bela surpresa subterrânea.
Resumo
- O projeto deve definir diâmetros, declividades, ventilação, caixas de inspeção e trajeto das redes.
- Utilize tubos e conexões próprios para esgoto e águas pluviais.
- Evite adaptações e mudanças de conexão sem critério técnico.
- Ralos e caixas sifonadas ajudam a impedir o retorno de odores.
- Válvulas de retenção podem ser necessárias em locais sujeitos a refluxo.
- Respeite os procedimentos do fabricante para juntas soldáveis ou com anel de vedação.
- A declividade correta é fundamental para o funcionamento da rede.
- A ventilação sanitária protege os fechos hídricos e ajuda a evitar odores.
- Valas profundas podem desmoronar e podem exigir escoramento ou taludes adequados.
- Assente tubulações enterradas sobre base regular e livre de pedras.
- Faça o reaterro cuidadosamente para não trincar ou deformar os tubos.
- Nunca ligue esgoto sanitário à rede de águas pluviais.
- Teste a instalação antes de revestir paredes ou fechar as valas.
- Fotografe toda a rede antes que ela desapareça sob pisos, paredes e jardins.
Uma rede de esgoto bem executada depende de três coisas que não custam caro, mas fazem enorme diferença: projeto, declividade e cuidado na montagem.
O tubo precisa ter o diâmetro correto, seguir o caminho previsto, estar bem apoiado e permitir que água, resíduos e gases sigam exatamente para onde deveriam ir.
Quando a rede sanitária funciona perfeitamente, ela passa despercebida. E poucas coisas na construção são tão agradáveis quanto um sistema de esgoto do qual ninguém precisa lembrar.
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Nota ao Usuário
As estimativas de consumo de materiais, mão de obra e custos apresentadas neste site têm caráter informativo e são baseadas em referências técnicas e condições médias de execução de serviços de construção civil.
Na prática, esses valores podem apresentar variações em função de diversos fatores, como habilidade e experiência dos profissionais contratados, cuidados na execução, condições de trabalho, desperdícios de materiais, produtividade individual, qualidade dos produtos escolhidos, variações regionais de preço e forma de compra (atacado/varejo).
Por esses motivos, os resultados aqui apresentados devem ser utilizados como estimativa preliminar e de apoio ao planejamento. Eles não substituem a análise, o projeto e a responsabilidade técnica de um engenheiro ou arquiteto legalmente habilitados, nem dispensam a cotação de preços junto a fornecedores e profissionais da sua região.
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