Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em Atualizado em

Parede com Tijolo Maciço de Barro — Um Tijolo (e = 20 cm)

Parede de um tijolo executada com tijolos maciços de barro

O tijolo maciço de barro é um dos materiais mais tradicionais da construção civil, muito utilizado em construções rurais, residências antigas, muros e projetos arquitetônicos que valorizam a aparência natural da alvenaria. Embora atualmente seja menos empregado que os blocos cerâmicos vazados e os blocos de concreto, continua sendo uma alternativa interessante em determinadas aplicações.

Neste artigo, vamos tratar especificamente da parede de um tijolo, executada com as peças assentadas transversalmente ou combinadas em amarrações próprias, formando uma parede com aproximadamente 20 cm de espessura, dependendo das dimensões dos tijolos utilizados.

O que é uma parede de um tijolo?

Na parede de um tijolo, a espessura da alvenaria corresponde aproximadamente ao comprimento da peça, diferentemente da parede de meio tijolo, cuja espessura corresponde à largura do tijolo.

Como resultado, obtém-se uma parede mais espessa, com maior consumo de material e peso próprio por metro quadrado.

Esse tipo de assentamento é encontrado em construções tradicionais, paredes externas, muros e edificações antigas executadas com alvenaria de tijolos maciços.

É importante observar que a espessura final depende das dimensões reais das peças e da disposição adotada. Portanto, os 20 cm representam uma referência aproximada, não uma medida universal.

Características dos tijolos maciços

Os tijolos maciços são produzidos com argila moldada e posteriormente queimada em fornos. Sua fabricação pode ser industrial ou artesanal, dependendo da região e do fornecedor.

Em olarias tradicionais, é comum encontrar peças com pequenas variações dimensionais, tonalidades diferentes e acabamento rústico.

Essas características podem valorizar uma parede aparente, mas exigem cuidado durante o assentamento para manter as fiadas alinhadas.

Antes da compra, observe a regularidade das peças, a presença de trincas, a qualidade da queima e a procedência do fornecedor.

Também é importante considerar que tijolos de fabricantes diferentes podem apresentar características distintas de absorção de água e resistência mecânica.

Diferenças entre parede de meio tijolo e de um tijolo

A principal diferença entre esses dois sistemas é a espessura da parede.

Na parede de meio tijolo, as peças são assentadas longitudinalmente, formando uma alvenaria com aproximadamente 10 cm de espessura.

Na parede de um tijolo, a disposição das peças permite formar uma alvenaria próxima de 20 cm de espessura.

Essa diferença influencia o consumo de tijolos, a quantidade de argamassa, o peso próprio e o espaço ocupado pela construção.

Uma parede mais espessa também pode apresentar comportamento diferente diante de esforços laterais, mas não deve ser considerada automaticamente estrutural apenas por possuir maior espessura.

A capacidade de suportar cargas depende do conjunto da alvenaria e das condições de projeto.

Resistência e função estrutural

O tijolo maciço pode apresentar boa resistência à compressão quando produzido adequadamente. Entretanto, a resistência individual das peças não determina, sozinha, a capacidade estrutural da parede.

O comportamento da alvenaria depende também da argamassa, das juntas, da altura, do comprimento, das condições de apoio e das ligações com os demais elementos da construção.

Em construções convencionais com pilares e vigas de concreto armado, paredes de um tijolo podem funcionar apenas como alvenaria de vedação, sem receber as cargas principais da edificação.

Em sistemas tradicionais de alvenaria portante, paredes de tijolos maciços podem participar da sustentação da construção, desde que exista dimensionamento compatível com as cargas e as características dos materiais.

Portanto, não é correto presumir que uma parede de 20 cm possa receber diretamente lajes, vigas ou outros elementos estruturais sem avaliação específica.

Peso próprio da parede

Uma característica importante da parede de um tijolo é seu peso elevado, principalmente quando comparada a soluções com blocos vazados de menor massa.

Como utiliza maior volume de tijolos e argamassa por metro quadrado, transmite cargas maiores aos elementos que a sustentam.

Esse aspecto merece atenção especial em pavimentos superiores, onde as paredes podem estar apoiadas sobre lajes ou vigas.

O peso próprio também influencia o dimensionamento das fundações e das estruturas de apoio.

Em reformas, não é recomendável substituir uma parede leve por outra de tijolos maciços sem verificar se a estrutura existente comporta o aumento de carga.

Desempenho térmico e acústico

A maior espessura e a massa da parede de um tijolo podem contribuir para seu desempenho térmico e acústico.

Em determinadas condições, paredes mais pesadas apresentam maior inércia térmica, retardando as variações de temperatura entre os ambientes.

A massa também pode contribuir para reduzir a transmissão de ruídos aéreos.

Entretanto, o desempenho depende do conjunto da parede, incluindo espessura, revestimentos, juntas, aberturas e condições de exposição.

Por isso, não é correto afirmar que uma parede de tijolos maciços apresenta isolamento superior a qualquer sistema com blocos vazados.

Argamassa de assentamento

O assentamento pode ser realizado com argamassa de cimento, cal hidratada e areia, utilizando composição adequada às características dos tijolos e à finalidade da parede.

Um traço tradicional é 1:2:8 (cimento : cal hidratada : areia, em volume), utilizado em determinadas alvenarias convencionais.

A cal melhora a trabalhabilidade e a retenção de água da argamassa, facilitando o posicionamento das peças e o preenchimento das juntas.

Também existem argamassas industrializadas próprias para assentamento de alvenarias.

A composição deve considerar a resistência necessária, a absorção dos tijolos e as condições de exposição.

Quando a parede possui função estrutural, a argamassa precisa atender às características previstas para o sistema, não sendo adequado escolher o traço apenas por tradição de obra.

Primeira fiada e demarcação das paredes

A primeira fiada, conhecida no canteiro como fiada de demarcação, define a posição exata da parede.

Antes de iniciar, confira as medidas do projeto, a distância entre paredes, o esquadro dos cômodos e a localização dos vãos de portas e janelas.

Uma boa prática é demarcar todas as paredes antes de começar a elevação da alvenaria, permitindo identificar diferenças de medidas ainda no início do serviço.

Utilize trena, linha de pedreiro, esquadro e nível para conferir o posicionamento.

Pequenos desvios podem comprometer a instalação de portas, móveis e revestimentos. Por isso, as tolerâncias devem considerar as exigências do projeto e do acabamento, não sendo correto adotar automaticamente 1 cm como diferença aceitável.

Elevação das fiadas e amarração dos tijolos

Durante a construção, mantenha as fiadas niveladas e confira frequentemente o prumo e o alinhamento da parede.

Na parede de um tijolo, a disposição das peças e a amarração entre as fiadas merecem atenção especial, pois a espessura maior permite diferentes combinações de assentamento.

O objetivo é evitar juntas verticais contínuas e proporcionar uma ligação adequada entre os tijolos que compõem a espessura da parede.

Em determinadas amarrações, são utilizadas fiadas ou peças posicionadas transversalmente para conectar as diferentes partes da alvenaria.

O arranjo deve ser compatível com as dimensões dos tijolos e com a função da parede.

Evite elevar trechos muito altos de uma só vez quando a argamassa ainda não apresenta condições suficientes de estabilidade.

À medida que o serviço avança, utilize plataformas ou andaimes apropriados para manter uma posição segura de trabalho.

Ligações com outras paredes e pilares

Nos encontros entre paredes, é importante prever ligações adequadas para reduzir o risco de fissuras e deslocamentos.

Em determinadas situações, a ligação pode ser realizada pela própria amarração dos tijolos, alternando a disposição das peças nas fiadas.

Também podem ser utilizados elementos metálicos de ligação, quando compatíveis com o sistema construtivo.

Entretanto, a simples colocação de barras ou telas na argamassa não garante uma ligação eficiente. É necessário considerar sua posição, ancoragem e compatibilidade com os elementos existentes.

Nos encontros com pilares de concreto, a solução deve considerar as movimentações da estrutura e da alvenaria.

Vergas e contravergas

Os vãos de portas e janelas precisam ser cuidadosamente posicionados durante a elevação das paredes.

A verga é instalada acima da abertura para distribuir as cargas da alvenaria superior e evitar sua transmissão direta ao caixilho.

A contraverga, normalmente executada abaixo das janelas, ajuda a distribuir esforços e reduzir a concentração de tensões nos cantos inferiores do vão.

Esses elementos podem ser executados em concreto armado ou por outros sistemas compatíveis com a alvenaria.

Suas dimensões, armaduras e comprimentos de apoio dependem das características da parede e das solicitações previstas.

Em paredes mais espessas, também é necessário garantir que o reforço atenda adequadamente à largura da alvenaria.

Encontro superior com vigas e lajes

Quando a parede é construída abaixo de uma viga ou laje existente, o fechamento da região superior exige cuidados especiais.

Esse procedimento é frequentemente chamado de encunhamento ou fixação superior da alvenaria.

Dependendo do sistema construtivo, podem ser utilizados materiais e procedimentos específicos para acomodar as movimentações da estrutura e da parede.

Não se deve simplesmente preencher o espaço com cunhas rígidas ou argamassa muito resistente sem considerar as condições da estrutura.

Em paredes com função portante, os detalhes de apoio e transmissão de cargas são diferentes daqueles utilizados em alvenarias de vedação e devem ser tratados conforme o projeto.

Acabamento aparente ou revestido

Uma das características mais valorizadas do tijolo maciço é sua aparência natural, que combina bem com construções tradicionais, áreas gourmet e projetos arquitetônicos contemporâneos.

Quando a parede permanecer aparente, procure selecionar os tijolos e manter as juntas uniformes.

Se a parede receber chapisco, emboço ou outro revestimento, considere a espessura final para não comprometer as dimensões dos ambientes.

Em áreas externas, observe as condições de exposição à chuva e a necessidade de proteção compatível com os tijolos e o acabamento escolhido.

Consumo de materiais e custos

A parede de um tijolo utiliza maior volume de tijolos e argamassa por metro quadrado do que uma parede de meio tijolo executada com as mesmas peças.

Esse aumento de consumo também influencia o peso próprio e o custo de execução.

Entretanto, o custo final depende dos preços locais, da produtividade da mão de obra, do transporte e do acabamento escolhido.

Para calcular o consumo, considere as dimensões reais dos tijolos, a espessura das juntas e a área total das paredes, descontando os vãos quando aplicável.

Também é importante prever uma margem para perdas por cortes e quebras.

Quando a parede ficará aparente, a seleção das peças e o acabamento das juntas podem aumentar o tempo de execução, mas dispensar algumas etapas tradicionais de revestimento.


Observações adicionais

  • A parede de um tijolo apresenta espessura próxima de 20 cm, dependendo das dimensões das peças e da amarração adotada.
  • Utiliza maior volume de material e apresenta maior peso próprio que a parede de meio tijolo.
  • A maior espessura não significa automaticamente que a parede possa receber cargas estruturais.
  • Em paredes portantes, a resistência e as ligações precisam ser compatíveis com o sistema estrutural previsto.
  • O peso próprio da alvenaria deve ser considerado no dimensionamento das estruturas de apoio.
  • O traço 1:2:8 é uma referência tradicional, mas a argamassa deve ser adequada à finalidade da parede.
  • Confira posição, esquadro e dimensões dos ambientes durante a execução da primeira fiada.
  • Verifique frequentemente o prumo, o nivelamento e a amarração entre os tijolos.
  • Preveja ligações adequadas nos encontros entre paredes e pilares.
  • Utilize vergas e contravergas conforme as características da alvenaria.
  • O fechamento superior deve considerar a função da parede e as movimentações da estrutura.
  • Para acabamento aparente, selecione os tijolos e mantenha as juntas uniformes.
Referências Técnicas (5)

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