Instalações Hidráulicas
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Observação sobre a estimativa de custos:
O custo das conexões foi estimado como um percentual do custo da tubulação, com base na quantidade de conexões observada em um projeto hidráulico real. Esse critério permite obter uma estimativa prática e simplificada para composição do custo do serviço.
Entretanto, a quantidade e o tipo de conexões podem variar bastante conforme o projeto, o número de pontos de consumo, as mudanças de direção da tubulação e a existência de peças especiais ou conexões com insertos metálicos. Para uma estimativa mais precisa, recomenda-se levantar todas as conexões diretamente no projeto hidráulico e solicitar cotações da lista completa a diferentes fornecedores.
Para a ferramenta de termofusão foi considerado o custo de locação por hora, aplicado somente ao tempo estimado necessário para a execução das fusões. Na prática, porém, o custo efetivo pode ser maior, pois devem ser considerados também o período mínimo de locação, o transporte da ferramenta até a obra, o tempo de preparação e aquecimento, além de eventuais períodos ociosos entre uma etapa de serviço e outra.
Instalando redes de água fria ou quente com tubos PPR verde

Uma tubulação de PPR bem executada praticamente transforma tubo e conexão em uma única peça. Não há cola, não há solda metálica: quem faz a união é o próprio material aquecido.
Os tubos de PPR vêm ganhando espaço nas instalações hidráulicas, principalmente nas redes de água quente, mas também podem ser utilizados para água fria.
PPR é a abreviação de Polipropileno Copolímero Random, um material plástico desenvolvido para trabalhar com água sob pressão e, dependendo da classe do tubo, em temperaturas elevadas.
Uma de suas características mais interessantes é o sistema de união. Tubos e conexões são aquecidos com uma ferramenta chamada termofusora e, depois de encaixados, o próprio material se funde. Não existe adesivo entre as peças.
Quando a termofusão é executada corretamente, a união fica resistente, estanque e muito confiável. Quando é mal feita, porém, o defeito também pode ficar escondido dentro da parede.
Por isso, apesar da aparência simples, instalação de PPR exige um encanador treinamento, ferramentas adequadas e bastante atenção.
PPR pode conduzir água fria e água quente
Essa é uma das principais diferenças em relação ao tradicional PVC soldável marrom.
O PVC marrom é amplamente utilizado nas instalações prediais de água fria, enquanto o PPR possui linhas próprias para trabalhar também com água quente.
Dependendo do fabricante, são oferecidos tubos em diferentes classes de pressão, como PN 12,5, PN 20 e PN 25. Essas classes possuem diferentes espessuras de parede e condições de trabalho.
De maneira geral, encontramos linhas destinadas a:
- água fria;
- água quente;
- sistemas de aquecimento;
- aplicações especiais previstas pelo fabricante.
Não escolha a classe apenas pelo preço. Temperatura, pressão de serviço e vida útil esperada precisam ser consideradas.
O correto é verificar qual classe de PPR foi especificada no projeto hidráulico e utilizar tubos e conexões compatíveis.
PPR verde e PPR azul são tubos diferentes
Uma dúvida comum ocorre quando encontramos no mercado tubos de PPR de cores diferentes.
Nas linhas utilizadas em instalações prediais de água fria e quente, é muito comum encontrarmos os tubos na cor verde.
Também existem tubos PPR na cor azul, mas atenção: linhas azuis como a TOPAIR são desenvolvidas para redes de ar comprimido.
A cor azul está associada à identificação de ar comprimido, enquanto o verde é tradicionalmente utilizado na identificação de água.
O material básico pode pertencer à mesma família, mas isso não significa que podemos pegar qualquer tubo de PPR azul e utilizá-lo para alimentar um chuveiro.
Cor ajuda a identificar. Quem define a aplicação é a especificação técnica do produto. Antes da compra, confira sempre o catálogo do fabricante, a classe de pressão e a finalidade declarada para aquela linha.
Projeto hidráulico continua sendo fundamental
Trocar PVC por PPR não elimina a necessidade de projeto.
Os sistemas prediais de água fria e quente devem considerar as diretrizes da ABNT NBR 5626, além das normas e especificações aplicáveis ao sistema utilizado.
O projeto define:
- diâmetros das tubulações;
- vazões necessárias;
- pressões disponíveis;
- perdas de carga;
- caminhos das redes;
- posição dos registros;
- pontos de água quente e fria;
- equipamentos de aquecimento;
- condições de dilatação da tubulação;
- acessibilidade para manutenção.
Em uma instalação de água quente também precisamos saber qual será a fonte de aquecimento: aquecedor a gás, sistema elétrico, bomba de calor, aquecimento solar ou outra solução.
Temperatura e pressão influenciam diretamente a escolha da tubulação.
Tubos e conexões

Os sistemas de PPR possuem uma grande variedade de componentes e podem atender desde pequenas instalações residenciais até redes de grandes diâmetros.
Encontramos:
- joelhos de 45° e 90°: para mudanças de direção;
- curvas: para mudanças mais suaves;
- tês: para derivações;
- luvas: para união de tubos em linha reta;
- buchas de redução: para mudança de diâmetro;
- uniões: que facilitam futuras desmontagens;
- caps: para fechamento de extremidades;
- registros: próprios para o sistema;
- conexões de transição: com insertos metálicos para ligação a registros, torneiras, aquecedores e outros equipamentos rosqueados.
Existem tubos desde pequenos diâmetros residenciais, como 20, 25 e 32 mm, até diâmetros muito maiores utilizados em instalações comerciais e industriais.
O diâmetro aparente do tubo não deve ser comparado diretamente com uma tubulação de outro material apenas olhando sua parte externa. A espessura da parede varia conforme a classe do tubo e interfere no diâmetro interno disponível para passagem da água.
Por isso, novamente: dimensione hidraulicamente, não escolha “no olho”.
PPR custa mais que PVC marrom?
Para uma instalação exclusivamente de água fria, normalmente sim.
O PVC soldável marrom possui produção em enorme escala no Brasil, é simples de instalar e apresenta custo bastante reduzido.
Como referência de mercado, um tubo de PVC marrom de 20 mm com 3 metros pode custar aproximadamente R$ 15, enquanto um tubo de PPR PN20 da mesma ordem de diâmetro e comprimento pode custar algo entre aproximadamente R$ 35 e R$ 60, dependendo da marca e da região.
As conexões de PPR também costumam ter preço superior às equivalentes em PVC soldável.
Além disso, a instalação necessita de termofusora e bocais apropriados.
Portanto, para executar apenas uma rede residencial simples de água fria, o PVC marrom normalmente continua sendo a solução de menor custo. A comparação muda quando existe água quente.
O PVC marrom convencional não é destinado à água quente. Nesse caso, precisamos comparar o PPR com outros sistemas próprios para água quente, como:
- CPVC;
- cobre;
- tubulações multicamadas;
Nessa comparação, o PPR torna-se bastante competitivo.
Vantagens do PPR
Entre as principais vantagens podemos destacar:
- serve para água quente e fria: permitindo utilizar a mesma tecnologia nas duas redes;
- não sofre corrosão: vantagem importante em relação às antigas instalações metálicas;
- boa resistência química: dentro das aplicações especificadas pelo fabricante;
- superfície interna lisa: reduz incrustações e favorece o escoamento;
- baixo peso: facilita transporte e montagem;
- uniões por termofusão: sem adesivos, soldas metálicas ou anéis de vedação nas juntas fundidas;
- baixa condutividade térmica: perde menos calor que tubulações metálicas;
- boa durabilidade: quando corretamente dimensionado e instalado.
O sistema também permite uma instalação visualmente organizada em trechos aparentes.
E quais são as desvantagens?
Nenhum material resolve todos os problemas da construção.
No PPR devemos considerar:
- custo superior ao PVC marrom para água fria;
- necessidade de termofusora;
- necessidade de treinamento do instalador;
- maior atenção à dilatação térmica, principalmente em água quente;
- impossibilidade de simplesmente desmontar uma união termofundida;
- necessidade de proteger a tubulação contra condições de exposição não previstas pelo fabricante;
- risco de reduzir a passagem interna se a termofusão for executada de maneira incorreta.
O último problema merece atenção especial.
Se o instalador aquecer excessivamente as peças ou introduzir o tubo além da profundidade correta, o material amolecido pode formar uma saliência para dentro da conexão e reduzir a seção de passagem da água.
Do lado de fora tudo pode parecer perfeito. O defeito estará escondido justamente onde ninguém consegue enxergar.
Como funciona a termofusão?

Essa é a principal diferença de execução em relação ao PVC marrom. No PVC utilizamos adesivo próprio. No PPR, utilizamos calor.
A termofusora possui bocais metálicos nas dimensões correspondentes aos tubos e conexões. O equipamento trabalha normalmente próximo de 260°C, conforme o sistema e as instruções do fabricante.
O procedimento básico é:
- Corte o tubo perpendicularmente.
- Limpe as superfícies. Tubo e conexão devem estar livres de sujeira e contaminação.
- Marque a profundidade de inserção. Ela varia conforme o diâmetro.
- Aqueça tubo e conexão simultaneamente. Cada peça entra em seu respectivo bocal.
- Respeite o tempo de aquecimento. Ele depende do diâmetro e das orientações do fabricante.
- Retire as duas peças da termofusora.
- Encaixe imediatamente até a marca prevista.
- Não gire as peças durante a união.
- Mantenha o alinhamento durante o resfriamento inicial.
Depois de resfriada, a união torna-se permanente.
Termofusão não é churrasco: deixar mais tempo no calor não significa deixar a conexão mais resistente.
Aquecimento excessivo pode deformar as peças. Aquecimento insuficiente pode produzir uma união fraca.
Quer ver como a termofusão é feita na prática? A Tigre disponibiliza um vídeo demonstrativo que mostra o procedimento correto para a união de tubos e conexões PPR por termofusão. É uma boa oportunidade para visualizar as etapas de preparação, aquecimento e união das peças, complementando as orientações apresentadas neste artigo. Assista ao vídeo “Colando tubo PPR”, da Tigre, no YouTube.
Antes de aquecer, confira a posição
No PVC, ainda temos alguns segundos para pequenos ajustes durante a montagem.
No PPR, depois que tubo e conexão são unidos e esfriam, a posição está definida. Por isso, antes de termofundir um joelho ou tê, confira cuidadosamente sua orientação.
Uma conexão girada alguns graus pode fazer o próximo trecho de tubo chegar fora do ponto previsto. Monte mentalmente a sequência antes de ligar a termofusora.
Em locais apertados, verifique também se haverá espaço suficiente para aproximar a ferramenta das duas peças.
Conexões com rosca metálica

Em algum momento a rede de PPR precisará encontrar outro material. Registros, torneiras, aquecedores, misturadores e diversos equipamentos possuem conexões metálicas rosqueadas.
Para essas situações existem peças de transição de PPR com inserto metálico. Nas roscas que utilizam PTFE, aplique a fita veda rosca sobre a rosca macho, sempre no sentido do rosqueamento.
Evite excesso de fita e principalmente aperto exagerado. Uma chave maior não transforma uma rosca mal montada em uma boa conexão. O excesso de força pode danificar a conexão de transição ou transmitir esforços inadequados à tubulação.
Água quente faz o tubo se movimentar
Todo material se dilata quando sua temperatura aumenta, mas os tubos plásticos apresentam movimentação térmica que precisa ser considerada com atenção.
Uma tubulação de PPR conduzindo água quente ficará mais comprida quando aquecida e voltará a se contrair ao esfriar.
Em pequenos trechos embutidos, o próprio sistema construtivo e as recomendações do fabricante podem acomodar essas movimentações.
Em trechos longos aparentes, porém, o projeto deve considerar:
- pontos fixos;
- suportes deslizantes;
- mudanças de direção;
- braços de dilatação;
- eventuais compensadores;
- espaçamento correto entre suportes.
Prender rigidamente vários metros de tubulação quente e esperar que ela simplesmente decida não se dilatar é uma negociação que a física normalmente vence.
Perda de carga continua existindo
O PPR possui superfície interna lisa, mas isso não significa que a água percorra a instalação sem perder energia.
Comprimento dos tubos, diâmetros, tês, curvas, registros e mudanças de direção continuam provocando perda de carga.
Também é importante lembrar que tubos de mesmo diâmetro externo podem apresentar diâmetros internos diferentes conforme a classe de pressão e a espessura da parede.
Portanto, não substitua um tubo especificado no projeto por outra classe ou por outro material simplesmente porque ambos possuem “25 mm” escrito na embalagem. O dimensionamento deve considerar as características reais do sistema.
Registros e barriletes

Assim como na rede de PVC marrom, é recomendável organizar os registros para permitir manutenção por setores.
Podemos prever registros para:
- cozinha;
- banheiros;
- área de serviço;
- diferentes pavimentos;
- rede de água quente;
- alimentação do aquecedor.
No barrilete e em áreas técnicas, deixe tubos e registros acessíveis e identificados.
Uma pequena etiqueta custa quase nada durante a obra e vale muito quando alguém precisa fechar rapidamente apenas a água quente da suíte quinze anos depois.
Teste antes de esconder
Terminada a montagem, realize o ensaio de estanqueidade previsto para a instalação antes de revestir paredes, fechar shafts ou executar forros.
Durante o teste, observe principalmente:
- uniões termofundidas;
- conexões de transição;
- juntas rosqueadas;
- registros;
- ligações dos equipamentos.
A instalação deve ser testada conforme o projeto, a norma aplicável e as instruções do fabricante.
Não utilize ar comprimido de maneira improvisada para testar redes hidráulicas plásticas. O ensaio deve utilizar procedimento seguro e adequado ao sistema.
E nunca considere que uma termofusão ficou boa apenas porque sua aparência externa ficou bonita. O teste é quem dá a palavra final.
Registre a instalação com fotografias
Depois que a parede estiver revestida, o tubo verde ficará tão invisível quanto o antigo tubo marrom.
Antes de fechar os rasgos, fotografe:
- trajetos das tubulações;
- derivações;
- registros;
- pontos de água quente e fria;
- mudanças de direção;
- ligações com aquecedores;
- passagens por shafts e forros.
Sempre que possível, coloque uma trena ou outra referência dimensional na fotografia.
Anos depois, antes de instalar um armário, espelho ou suporte, essas imagens podem impedir que uma furadeira encontre exatamente o único tubo escondido naquela parede.
O projeto registra o caminho planejado. A fotografia registra o caminho realmente executado.
Resumo
- O PPR pode ser utilizado em redes prediais de água fria e quente, conforme a linha e a classe especificadas.
- Os tubos verdes são comuns nas instalações de água; linhas PPR azuis podem ser específicas para ar comprimido.
- Não escolha um tubo apenas pela cor: confira sempre a aplicação indicada pelo fabricante.
- Para água fria, o PPR normalmente custa mais que o PVC soldável marrom.
- Na água quente, a comparação deve ser feita com CPVC, cobre e outros sistemas próprios para altas temperaturas.
- O PPR não utiliza adesivo: suas uniões são executadas por termofusão.
- A termofusora trabalha normalmente próximo de 260°C, seguindo os tempos definidos pelo fabricante.
- Aquecimento excessivo pode deformar a conexão e reduzir a passagem interna.
- Aquecimento insuficiente pode produzir uma união deficiente.
- Não gire tubo e conexão durante a união termofundida.
- Utilize conexões de transição apropriadas nos encontros com componentes metálicos.
- Redes de água quente precisam considerar a dilatação térmica.
- Diâmetros e classes de pressão devem seguir o projeto hidráulico.
- Organize e identifique registros e barriletes.
- Teste toda a instalação antes de revestir paredes e fechar shafts.
- Fotografe as tubulações antes que desapareçam dentro da construção.
O PPR troca o pote de adesivo por uma termofusora e permite utilizar uma mesma tecnologia para redes de água fria e quente. Mas facilidade de montagem não significa que qualquer encaixe aquecido esteja correto.
Uma boa rede começa no projeto, passa pela escolha da classe adequada, depende de termofusões bem executadas e termina com um teste cuidadoso.
Quando o tubo verde desaparecer atrás da parede, o melhor resultado é que ele continue lá durante décadas fazendo seu trabalho sem dar notícia.
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Nota ao Usuário
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Na prática, esses valores podem apresentar variações em função de diversos fatores, como habilidade e experiência dos profissionais contratados, cuidados na execução, condições de trabalho, desperdícios de materiais, produtividade individual, qualidade dos produtos escolhidos, variações regionais de preço e forma de compra (atacado/varejo).
Por esses motivos, os resultados aqui apresentados devem ser utilizados como estimativa preliminar e de apoio ao planejamento. Eles não substituem a análise, o projeto e a responsabilidade técnica de um engenheiro ou arquiteto legalmente habilitados, nem dispensam a cotação de preços junto a fornecedores e profissionais da sua região.
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