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Dicas do Mestre

Laje treliça h=20cm com lajota cerâmica

Laje treliça h=20cm com lajota cerâmica

A laje treliça H20 é um sistema estrutural robusto, indicado para situações que exigem elevada capacidade de carga e vãos livres maiores do que aqueles atendidos pelas lajes H8, H12 ou H16. Este modelo proporciona excelente desempenho à flexão e menor deformabilidade, tornando-se uma solução adequada para edificações com exigências estruturais mais elevadas, como pavimentos comerciais, áreas industriais leves, mezaninos, lajes que recebem depósitos e locais com paredes de alvenaria distribuídas ao longo do pavimento.

A vigota treliçada é composta por uma base de concreto com aproximadamente 3 cm de altura, onde é inserida uma armadura treliçada com barras longitudinais e diagonais eletrossoldadas. Essa configuração deixa a parte superior da armadura exposta, o que permite maior aderência estrutural à capa de concreto. Por possuir uma altura maior de enchimento, o volume de concreto estrutural na capa também aumenta, resultando em uma laje final mais robusta e com melhor rigidez global.

Assim como outros tipos de lajes, usualmente, os fabricantes disponibilizam tabelas técnicas indicando o vão máximo permitido e a sobrecarga admissível para cada tipo de treliça. Durante a montagem, as vigotas são instaladas paralelamente, com espaçamento de ± 40 cm (valor que pode variar conforme o fabricante), e os intervalos entre elas são preenchidos com lajotas cerâmicas de 20 cm de altura, que funcionam como elementos de enchimento e apoio para o capeamento. Após a montagem, toda a superfície deve receber uma camada de concreto de 5 a 6 cm, responsável por solidarizar o conjunto, aumentar a rigidez da laje e garantir sua resistência final. A estrutura aberta da treliça facilita a instalação de eletrodutos e tubulações leves entre as nervuras, permitindo embutir conduítes e pontos elétricos com muito mais facilidade durante a montagem.

Outra vantagem relevante é a facilidade para inserir ferros de reforço. Como a armadura superior da vigota fica exposta, o fabricante pode determinar, conforme o projeto estrutural, a inclusão de barras adicionais tanto para reforço positivo (na parte inferior da vigota) quanto negativo (parte superior da vigota), garantindo melhor desempenho em regiões críticas, como apoios, balanços e áreas com maiores concentrações de esforços.

Ao contrário das lajes de menor altura, a laje treliça H20 permite a construção de paredes apoiadas diretamente sobre a laje, reservatórios de água e outras cargas pontuais. No entanto, essa condição deve ser sempre informada previamente ao fabricante ou ao engenheiro responsável pelo projeto estrutural, pois o carregamento adicional causado pelas paredes influencia diretamente no dimensionamento da estrutura. O fabricante poderá recomendar reforços específicos, alteração do espaçamento entre vigotas, aumento da seção da armadura positiva/negativa ou, em alguns casos, sugerir outro tipo de laje de maior capacidade.

A laje treliça H20 também pode ser executada com diferentes tipos de enchimento além das lajotas cerâmicas tradicionais. Entre as opções estão as lajotas de concreto, que conferem maior resistência à compressão e suportam melhor eventuais impactos durante a montagem, porém tornam a laje mais pesada, exigindo maior capacidade das vigotas e maior consumo de escoramento. Outra alternativa é o enchimento com blocos de EPS (isopor estrutural), que reduz significativamente o peso próprio da laje, melhora o desempenho termoacústico e facilita a manipulação no canteiro. Sua principal desvantagem é o custo mais elevado e a necessidade de cuidados especiais durante a concretagem, pois o EPS, por ser muito leve, deve ser bem fixado e protegido contra deslocamentos durante a concretagem.

Trata-se de um elemento estrutural, e sua compra e instalação exigem cuidados técnicos importantes para garantir segurança e desempenho.

Como comprar laje pre-fabricada:

A aquisição da laje não deve ser baseada apenas em metragem (tamanho); é indispensável informar ao fabricante o tipo de laje que precisa, se é laje de piso para área residencial (sobrecarga admissível de 150Kgf/m2), se é para área comercial (sobrecarga admissível de 200Kgf/m2), ou se é laje de forro (sobrecarga admissível de 50Kgf/m2); e o vão livre de cada ambiente. O ideal é fornecer um desenho ou croqui com as dimensões dos cômodos e o sentido de montagem das vigotas, permitindo ao fabricante calcular o modelo das vigotas, quantidade de lajotas e eventuais barras de reforço.

Durante o processo de orçamento e compra, o construtor deve confirmar com o fornecedor se há necessidade de reforços adicionais, como barras de aço na armadura positiva (inferior), armadura negativa (superior) e ferros de costura no sentido transversal as vigotas. Esses reforços são necessários em ambientes com vãos maiores ou presença de cargas pontuais. A ausência desses elementos pode comprometer o desempenho estrutural e causar fissuras ou deformações excessivas.

Montagem da laje pre-fabricada e concretagem:

Na montagem, as vigotas pré-fabricadas devem ser apoiadas sobre as vigas ou paredes de sustentação com o encaixe mínimo recomendado em projeto e pelo fabricante, garantindo a perfeita solidarização da laje com a estrutura de apoio. O alinhamento e nivelamento das vigotas devem ser conferidos antes da colocação das lajotas cerâmicas, evitando desníveis que dificultem a concretagem.

Outro ponto crítico é o escoramento da laje. Ele deve ser montado com pontaletes, tábuas e sarrafos bem distribuídos, formando uma base rígida capaz de suportar o peso próprio da laje, o peso do concreto fresco e o trânsito dos operários durante a concretagem. Escoramentos insuficientes ou mal instalados são uma das principais causas de acidentes e colapsos durante a execução de lajes pré-fabricadas. O espaçamento entre pontaletes deve seguir orientação do fabricante, e todas as peças de madeira devem estar em bom estado e perfeitamente aprumadas.

É fundamental realizar uma limpeza minuciosa sobre toda a superfície antes da concretagem, removendo cacos de lajotas quebradas, serragem, poeira, barro trazido nas botas dos operários ou qualquer outro resíduo que possa comprometer a união entre os elementos estruturais. Necessário verificar se as malhas de distribuição (quando previstas) estão devidamente posicionadas, respeitando o cobrimento mínimo com espaçadores plásticos. Durante o lançamento do concreto, deve-se evitar sobrecarregar setores específicos da laje com acúmulo de concreto (pode causar o colapso do escoramento).

Para garantir adequada aderência entre o concreto e as lajotas, estas devem ser umedecidas previamente, evitando que absorvam a água de amassamento do concreto e prejudiquem sua resistência. Após a concretagem, a laje deve permanecer escorada pelo período recomendado pelo engenheiro (geralmente entre 14 e 21 dias, dependendo do porte da obra). Somente após a cura adequada o escoramento pode ser removido, garantindo que a laje tenha atingido resistência suficiente para suportar o carregamento permanente.


Observações adicionais

  • A quantificação e custos neste item considera a execução do escoramento da laje, sua montagem e execução da capa de concreto com acabamento desempenado. Não está incluso ferros adicionais que podem ser solicitados pelo fabricante em razão do vão livre ou outros detalhes específicos de seu projeto.
  • O custo pode variar bastante dependendo da região e do fornecedor.
  • Reforços adicionais (positivos, negativos e costura) devem seguir orientação técnica do fabricante.
  • O sentido de montagem das vigotas deve estar definido no seu projeto estrutural, pois as vigas ou paredes que dão suporte às vigotas, suportam praticamente quase todo o peso da laje.
  • Jamais caminhe sobre as lajotas cerâmicas — risco significativo de acidente.
  • O dimensionamento correto das vigotas e armação complementar deve ser feito por um engenheiro, considerando as cargas a serem suportadas. Exija do fabricante o documento ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do engenheiro responsável pelos cálculos do produto comprado.
  • Cuidado na escolha do fornecedor, existem pequenos fabricantes que negligenciam os cálculos estruturais, oferecendo o mesmo produto para qualquer finalidade de uso - isto compromete a segurança de sua obra.
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Nota ao Usuário

As estimativas de consumo de materiais, mão de obra e custos apresentadas neste site têm caráter informativo e são baseadas em referências técnicas e condições médias de execução de serviços de construção civil.

Na prática, esses valores podem apresentar variações em função de diversos fatores, como habilidade e experiência dos profissionais contratados, cuidados na execução, condições de trabalho, desperdícios de materiais, produtividade individual, qualidade dos produtos escolhidos, variações regionais de preço e forma de compra (atacado/varejo).

Por esses motivos, os resultados aqui apresentados devem ser utilizados como estimativa preliminar e de apoio ao planejamento. Eles não substituem a análise, o projeto e a responsabilidade técnica de um engenheiro ou arquiteto legalmente habilitados, nem dispensam a cotação de preços junto a fornecedores e profissionais da sua região.

O Mestre de Obra e seus autores não se responsabilizam por decisões de compra, contratação ou execução de serviços tomadas exclusivamente com base nas informações deste site. Cabe ao usuário validar os dados, adaptar os resultados à realidade da sua obra e consultar sempre um profissional especializado.

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