Parede com Bloco de Concreto Estrutural 19x19x39.

Bloco de concreto estrutural 19×19×39

Bloco de concreto estrutural 19×19×39

O bloco de concreto estrutural 19 x 19 x 39 cm é o elemento mais robusto dentro da família de blocos estruturais, sendo amplamente utilizado em paredes externas, muros de arrimo, empenas e em edificações onde se exige maior desempenho mecânico e melhor comportamento termoacústico. Sua maior espessura ampliada (19 cm) oferece elevada resistência à compressão e maior capacidade de acomodar esforços, tornando-o ideal para obras em alvenaria armada sujeita a cargas mais elevadas.

É uma solução moderna, econômica e tecnicamente eficiente para edificações de médio a grande porte. Embora esse bloco seja mais caro que o bloco de concreto comum, ele oferece vantagens expressivas: permite a construção de paredes capazes de suportar cargas estruturais — como lajes, pavimentos superiores e mezaninos — dispensando, em muitos casos, a execução de pilares e vigas em concreto armado. Essa característica possibilita uma redução de custos com formas, armações, concreto e mão de obra, além de acelerar o cronograma de execução.

São amplamente empregados em muros de contenção, muros de divisa de grande altura e áreas sujeitas a empuxos de solo ou vento. Sua geometria mais robusta permite a execução segura de pilaretes grauteados internamente, aumentando substancialmente a capacidade portante e a estabilidade global da parede. Em muitos casos, esse sistema substitui soluções tradicionais de concreto armado com grande economia de material, mão de obra e tempo de execução.

Além da resistência superior, o maior volume do bloco proporciona significativa inércia térmica, contribuindo para ambientes mais confortáveis, especialmente em regiões quentes. Da mesma forma, sua espessura garante melhor isolamento acústico, sendo uma excelente escolha para fachadas externas, paredes que separam unidades habitacionais e edificações próximas a vias movimentadas.

Outro ponto relevante é que esse bloco oferece alvéolos internos mais amplos, facilitando o grauteamento e acomodando armaduras verticais de maior bitola. Isso permite que o projetista dimensione reforços internos mais eficientes, ampliando as possibilidades estruturais — como suportar lajes mais pesadas, vencer vãos maiores ou receber paredes superiores adicionais. Também é comum utilizar o bloco estrutural 19 cm em edificações que exigem passagens internas maiores para tubulações, como redes de esgoto sanitário com diâmetros de 50 mm, eletrodutos de grande porte e tubulações técnicas diversas.

Assim como o bloco de 14x19x39, ele é fabricado em diversas classes de resistência, conforme a NBR 6136 (antiga NBR 6236). O tipo mais usual para edificações de médio porte é o bloco estrutural com resistência de 4,5 MPa. Entretanto, existem blocos estruturais de 6 MPa, 8 MPa, 10 MPa e até 12 MPa, permitindo a execução de edifícios de múltiplos pavimentos — chegando a obras com até 12 andares sem pilares de concreto armado, quando corretamente dimensionado.

Uma das principais vantagens do bloco estrutural é a possibilidade de criar pilaretes internos nos alvéolos dos blocos. Esses pilaretes são executados com grauteamento (concretagem interna), podendo ou não conter armação vertical com vergalhões. Trata-se de um reforço fundamental para garantir a estabilidade global da parede, absorver esforços concentrados e atender às exigências estruturais previstas no projeto. É importante destacar que o graute não é um simples “cimento comum”. O correto é utilizar graute de alta fluidez e baixa retração, especialmente formulado para preenchimento total dos alvéolos, evitando fissuras e garantindo resistência adequada.

Por se tratar de uma estrutura portante, a alvenaria estrutural deve ser necessariamente projetada por um engenheiro. Este profissional definirá a classe de resistência dos blocos, a localização dos pilaretes, a necessidade de vergalhões verticais e horizontais, o espaçamento entre reforços, o tipo de graute e o detalhamento de vergas e contravergas. Em paredes estruturais, o conjunto completo — blocos, aço, graute e canaletas — recebe o nome técnico de Alvenaria Armada.

Necessário verificar a interligação entre panos de alvenaria. Para garantir continuidade e evitar fissuras, utilizam-se ferros de ligação, telas metálicas ou amarração adequada dos blocos. Vergas e contravergas também devem ser executadas com canaletas estruturais no mesmo módulo do bloco 14x19x39, devidamente grauteadas e armadas conforme projeto.

Um aspecto muito importante em obras com alvenaria estrutural é o planejamento dimensional da edificação. Para evitar recortes de blocos — que geram desperdício, aumentam o tempo de execução e comprometem o desempenho estrutural — recomenda-se que todos os cômodos tenham medidas em múltiplos e submúltiplos das dimensões dos blocos (20 cm e 40 cm). Assim, todas as paredes do pavimento podem ser executadas sem qualquer corte, utilizando apenas blocos inteiros e garantindo produtividade, precisão e grande economia de materiais. Para alcançar esse nível de racionalização, o arquiteto normalmente elabora um anteprojeto com a distribuição dos ambientes, e o engenheiro estrutural realiza os ajustes necessários na planta baixa, transformando a modulação em uma espécie de “LEGO estrutural”, onde cada bloco e cada junta são previamente posicionados no projeto executivo. Esse processo resulta em uma obra mais limpa, rápida, com menor incidência de erros de execução e grande redução nos custos globais da construção.

Quanto ao assentamento dos blocos estruturais, o traço da argamassa deve ser cuidadosamente selecionado, pois influencia diretamente o desempenho da alvenaria armada. O traço mais utilizado é 1:2:8 (cimento : cal hidratada : areia média) ou, alternativamente, 1:3:9, resultando em uma argamassa de boa trabalhabilidade e baixa resistência, suficiente para nivelamento, mas que não compromete o comportamento estrutural — já que a resistência da parede depende essencialmente dos blocos, graute e armação. A argamassa deve funcionar como um colchão de apoio, proporcionando uniformidade e acomodação das peças, sem criar “cunhas” rígidas que possam concentrar tensões. Além disso, a espessura das juntas deve ser rigorosamente controlada (entre 8 e 12 mm), conforme prática recomendada para alvenaria estrutural. Em nenhuma hipótese devem ser utilizados aditivos que aumentem retração ou que alterem significativamente a trabalhabilidade sem orientação do engenheiro responsável.

A execução exige cuidados importantes desde a primeira etapa. A primeira fiada, conhecida no canteiro de obras como fiada de demarcação, é decisiva para a precisão geométrica da alvenaria. Nesta fase devem ser conferidos o alinhamento, a posição exata das paredes, o esquadro entre elas e as dimensões dos cômodos, verificando se estão de acordo ao projeto. Recomenda-se demarcar todas as paredes antes de iniciar a elevação, revisando distância entre paredes opostas, espessuras e vãos. Diferenças pequenas, de até 1 cm, são consideradas toleráveis em obras, mas discrepâncias maiores devem ser corrigidas antes da continuidade dos serviços.

Durante a construção da parede, a verificação constante da prumada é essencial, garantindo que não fique inclinada. Igualmente importante é a solidarização entre paredes, realizada por meio da própria amarração entre os blocos, ou por barras metálicas engastadas (ferros de ligação) ou fitas/telas metálicas. Este cuidado evita a formação de fissuras típicas nas interseções de paredes. Conforme a parede atinge altura superior a 1,50 m, torna-se obrigatório o uso de andaimes ou plataformas, garantindo ergonomia e segurança aos operários.

Outro ponto crítico é a verificação prévia e constante dos vãos de portas e janelas. Erros de locação são mais comuns do que se imagina em obras sem supervisão técnica adequada. É fundamental que esses vãos sejam previamente marcados e conferidos, evitando retrabalhos e desperdícios. Ao redor de portas e janelas devem ser construidas vergas, que são elementos estruturais em concreto armado responsáveis por transferir as cargas da parede superior para as laterais, impedindo que o peso sobrecarregue o caixilho ou cause trincas.

No caso de alvenarias executadas abaixo de lajes já existentes (respaldo), a última fiada deve ser tratada com atenção especial, podendo exigir o uso de meios-blocos, canaletas ou cunhas para garantir o perfeito encunhamento, sempre respeitando as recomendações estruturais e evitando o travamento rígido que possa transmitir esforços indevidos à laje.

  • A canaleta deve sempre seguir o projeto estrutural, que define bitola das armaduras, posição dos ferros e pontos de grauteamento.
  • Em aberturas maiores (vãos amplos), pode ser necessária armadura complementar ou uma viga tradicional, a ser definido no cálculo estrutural.
  • Evite cortes ou adaptações improvisadas das canaletas, pois isso pode comprometer seu desempenho mecânico.
  • Antes da concretagem, verifique se todas as canaletas estão limpas, sem restos de materiais estranhos ou fragmentos de blocos.
  • Como esta canaleta é larga (e=19cm), permite instalação de armações treliçadas ou até mesmo a armação tradicional de vigas com estribos
  • Importante: consulte um engenheiro para dimensionar corretamente as armações.

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