Estrutura de Madeira para Telha Cerâmica com vão livre até 7,00 m
Em coberturas com vão livre de até 7,00 metros, a estrutura de madeira para telha cerâmica exige um projeto cuidadosamente dimensionado, combinando resistência, estabilidade e leveza. Nesses casos, as cargas do telhado são vencidas por meio de tesouras de madeira, formadas por peças diagonais e verticais que trabalham em conjunto, garantindo o equilíbrio estrutural sem necessidade de apoios intermediários. Esse tipo de solução é amplamente adotado em salões, garagens, varandas e áreas comerciais, onde se busca um espaço interno livre de pilares.
O cálculo e detalhamento da estrutura devem ser realizados por engenheiro civil ou estrutural, considerando peso próprio das telhas, cargas de vento, esforços de compressão e tração nas peças de madeira, além das condições de apoio da estrutura. As tesouras podem ser do tipo Howe (diagonais em compressão), Pratt (diagonais em tração) ou Polonceau (modelo francês com tirantes metálicos centrais), com variações conforme o vão e o formato do telhado. Em todas elas, as ligações metálicas — chumbadores, chapas, parafusos e pinos — têm papel essencial na estabilidade do conjunto..
As peças principais normalmente utilizam vigas 6×16 cm ou 6×20 cm para as tesouras e terças, caibros 5×6 cm e ripas 5×2 cm como apoio direto das telhas. Para o apoio das tesouras sobre pilares ou vigas de concreto, recomenda-se o uso de calços niveladores e chumbadores metálicos, impedindo o deslizamento e o levantamento da cobertura por ação do vento.
Para este tipo de cobertura, utilize madeiras de alta densidade e resistência, como Garapeira, Cambará, Angelim ou Jatobá. É indispensável que todas as peças sejam secas, tratadas e seladas nos topos para prevenir absorção de umidade e ataque de cupins ou fungos.
A inclinação mínima do telhado deve respeitar as recomendações do fabricante da telha cerâmica, normalmente entre 30% e 35%. Inclinações menores podem comprometer a estanqueidade. Caso a cobertura seja ampla, recomenda-se a instalação de subcobertura aluminizada, manta térmica ou forro de lambril como na foto acima, para reduzir o calor e aumentar o conforto interno. O beiral mínimo de 50 cm ajuda a proteger alvenarias e caixilhos contra respingos de chuva.
Madeira × estrutura metálica: a madeira é fácil de trabalhar em obra e oferece estética natural. Já a estrutura metálica, permite grandes vãos e alta precisão dimensional, porém demanda proteção anticorrosiva e mão de obra especializada. Em vãos até 7,00 m, a madeira continua sendo uma alternativa econômica, versátil e eficiente, desde que bem projetada e executada com responsabilidade técnica.
Observações adicionais:
- Este tipo de estrutura requer um projeto detalhado.
- O cálculo deve ser executado por engenheiro habilitado, com emissão de ART/RRT.
- Os nós das tesouras devem ser reforçados com chapa metálica galvanizada e fixação com parafusos passantes, evitando pregos simples que se soltam com o tempo.
- Em regiões de vento intenso, é necessário amarrações diagonais (contraventamentos) entre tesouras e terças, garantindo estabilidade lateral do conjunto.
- Reaplique o tratamento protetivo a cada 2 a 3 anos, especialmente em áreas expostas, prolongando a vida útil da estrutura e preservando seu desempenho.