Armação para Concreto Armado
Os serviços de armação para concreto armado envolvem o corte, dobra e montagem das barras de aço que irão compor a estrutura da edificação — pilares, vigas, lajes, blocos e fundações. Trata-se de um serviço altamente técnico, fundamental para a segurança da obra, e que deve ser executado com precisão, seguindo rigorosamente o projeto estrutural. Este item quantifica a mão de obra necessária para corte, dobra e montagem das armações; mas é importante destacar que muitos construtores optam por comprar o aço já cortado e dobrado em distribuidoras especializadas. Essa escolha traz vantagens e desvantagens: adquirir o aço previamente dobrado aumenta a precisão das peças e reduz a mão de obra (corte e dobra), porém o preço do aço costuma ser maior. Por outro lado, fazer o corte e dobra no canteiro reduz custos de aquisição do material, além de permitir alterações do projeto pelo engenheiro da obra ou pelo calculista – situações comuns em reformas devido à imprevistos, instalações ocultas e alterações de projetos.
Como se trata de um serviço ligado diretamente à segurança estrutural, toda armação deve ser cuidadosamente conferida pelo engenheiro responsável antes da concretagem. Isso inclui verificar o diâmetro das barras (bitolas), o comprimento das peças, ângulos de dobra, espaçamento entre estribos, ganchos, barras inclinadas e reforços localizados. Qualquer discrepância pode reduzir a capacidade resistente do elemento estrutural, acarretar recalques, fissuras ou até falhas graves ao longo da vida útil da edificação.
Durante a montagem, é obrigatório garantir que as ferragens não encostem nas formas. O contato direto com a madeira tem como consequência um “ferro exposto” às intempéries após a desforma, sujeito à corrosão. Para isso, utilizam-se espaçadores plásticos, que garantem o chamado cobrimento mínimo da armação: é a espessura mínima de concreto que deve envolver totalmente a armação, protegendo-a contra corrosão. As Normas Brasileiras NBR 6118, estabelece valores mínimos de cobrimento que variam conforme o tipo de elemento estrutural e se a edificação é interna, externa ou exposta à umidade—em linguagem simples, quanto maior a exposição ao ambiente, maior deve ser a camada de concreto que protege os ferros.
Para obras residenciais e comerciais de pequeno porte, situadas em ambiente considerado de baixa a média agressividade, recomenda-se cobrimento mínimo de 2,0 cm em lajes, 2,5 cm em vigas e 3,0 cm em pilares. Elementos estruturais em contato direto com o solo ou expostos à umidade constante, o cobrimento deve ser maior, em torno de 4,0 a 5,0 cm. Esses valores devem ser entendidos como mínimos: sempre que houver risco de exposição à água, maresia ou intempéries, sendo avaliadas as condições e definidas em projeto pelo engenheiro calculista.
Normalmete, as armações de vigas e pilares são preparadas na bancada de armação, onde as barras são cortadas e dobradas com ferramentas específicas, como mesa de dobrar ferro e um conjunto de chaves de dobrar ferro (uma para cada bitola); ou dobradeiras elétricas, em caso de grandes obras. Após montadas, essas armações são transportadas até as formas com auxílio de 2 a 4 serventes, dependendo do peso. Em peças maiores ou muito pesadas, é recomendável montar as ferragens já ao lado—ou sobre—o local onde serão posicionadas, evitando deslocamentos e reduzindo o risco de acidentes.
Outro cuidado indispensável é inspecionar o aço no momento da entrega na obra. Barras com oxidação profunda não devem ser recebidas, pois isso compromete sua aderência ao concreto. Esse problema é relativamente frequente em compras realizadas em pequenos depósitos, onde muitas vezes, as barras de aço permanecem expostas ao tempo. Peças sujas de barro ou graxa também devem ser limpas antes da montagem.
Por fim, durante a fase de montagem, deve-se evitar que os operários caminhem sobre as armações, especialmente em lajes, onde as barras negativas podem ser facilmente deformadas. Antes da concretagem, o engenheiro deve realizar uma inspeção final, verificando posicionamento, nivelamento e eventuais danos.
Observações adicionais
- Comprar o aço já cortado e dobrado reduz o tempo de obra, mas aumenta o custo do material e impossibilita alterações da armação pelo engenheiro da obra.
- As armações devem seguir rigorosamente o projeto estrutural, sem improvisos.
- Utilize espaçadores plásticos para garantir o cobrimento do concreto e evitar corrosão.
- Não receba aço com oxidação acentuada; isso compromete a segurança da estrutura.
- Aços para estruturas de concreto são classificados como CA-25, CA-50 e CA-60, cada um com uma resistência específica, sendo o CA-50 e o CA-60 os mais comum na construção civil.
- Apenas como referência quantitativa para estimativa previa de custos, considere que uma edificação em concreto armado consome em torno de 22 Kg de aço por metro quadrado de área construída.