Vamos ser sinceros: lixar parede é uma das partes mais chatas da pintura. É cansativo, exige movimentos repetitivos, faz o braço doer e ainda por cima levanta muita poeira. Em reformas com moradores dentro do imóvel, então, é quase um drama: plástico para todo lado, móveis cobertos, chão cheio de pó. Mesmo assim, em muitos casos, o lixamento é um passo importante para que a pintura fique bonita e durável.
Mas por que precisamos lixar a parede? O lixamento tem três funções principais:
- Remover imperfeições: pequenas ondas, “barriguinhas”, respingos de massa ou tinta antiga que ficaram marcados na superfície.
- Corrigir ranhuras e defeitos: depois de aplicar massa corrida ou massa acrílica, a lixa ajuda a nivelar a superfície, deixando tudo lisinho.
- Criar rugosidade adequada: uma leve aspereza ajuda a tinta nova a aderir melhor, evitando descascamentos prematuros.
Na prática, como lixar? Em paredes já emassadas, costuma-se usar lixa para massa na faixa de grão 150 a 220. Os movimentos devem ser firmes, mas sem exagero, em “vai e vem” ou em círculos. Em um mesmo ponto, geralmente 3 a 5 passadas suaves são suficientes. Se você perceber que está abrindo buracos na massa, é sinal de que está apertando demais ou usando lixa muito grossa.
Em termos de tempo, claro que depende da experiência de quem está trabalhando, mas para ter uma ideia: um tratador de paredes novato costuma levar de 8 a 15 minutos para lixar 1 m² com atenção. Um pintor experiente, com lixadeira manual ou elétrica, faz o mesmo trecho em poucos minutos. Essa noção de tempo ajuda a planejar a obra e entender por que o pintor passa um bom tempo só “lixando e sujando a casa”.
Quando falamos de repintura, a história muda um pouco. Nem sempre é necessário lixar a parede inteira. O essencial é:
- Remover todas as partes soltas da tinta velha, usando espátula;
- Lixar as bordas entre a tinta firme e a área raspada, para não ficar degrau;
- Verificar sinais de umidade (bolhas, manchas, mofo) e tratar o problema antes de pintar novamente.
E o que pode acontecer se você NÃO lixar a parede quando deveria? A pintura pode ficar com aspecto “ondulado”, marcar defeitos antigos, descascar com facilidade e acumular brilho irregular, especialmente em tintas acetinadas e semibrilho. Em casos mais graves, a tinta nova pode simplesmente “escorregar” sobre uma superfície muito lisa ou engordurada.
Existem tintas que prometem dispensar o lixamento, principalmente em situações de repintura leve. Normalmente são produtos com maior poder de aderência, indicados pelo fabricante para aplicação sobre tinta antiga firme e bem limpa. Mesmo assim, quase sempre o rótulo recomenda pelo menos um “lixamento suave” ou o uso de seladores específicos. Não é um passe de mágica: a parede ainda precisa estar firme, seca e livre de poeira ou gordura.
Resumo importante
- Nem toda parede precisa de lixamento pesado, mas algum preparo sempre é necessário.
- Quanto mais caprichado for o lixamento, melhor será o resultado visual da pintura.
- Planeje o tempo, proteja o ambiente contra poeira e use equipamentos de proteção (máscara, óculos, óculos de proteção).
- Em caso de dúvida, faça um teste em um pequeno trecho: lixe uma parte, pinte, e compare com a área não lixada.
Lixar parede não é divertido, mas é um daqueles passos que fazem toda a diferença entre uma pintura “quebra-galho” e um acabamento de qualidade profissional.