Informação de vendedores são confiáveis?

Atendente de loja de materiais de construção conversando com cliente

É muito comum que pessoas que não têm experiência na área da construção civil busquem ajuda diretamente com os vendedores nas lojas quando precisam comprar algum material. Afinal, para quem é leigo, aquele vendedor “vive no meio dos materiais de obra” e, portanto, deve saber tudo… certo? Às vezes sim. Mas, na prática, essa confiança precisa ser construída com cautela.

Existem vendedores realmente excepcionais, profissionais que trabalham há anos no mesmo segmento e conhecem cada detalhe dos produtos que comercializam. Isso é especialmente comum em lojas especializadas, como aquelas que vendem apenas materiais elétricos, hidráulicos ou impermeabilizantes. Esses vendedores costumam ter um conhecimento mais profundo, porque convivem diariamente com produtos semelhantes e conversam constantemente com engenheiros, arquitetos e instaladores.

Mas a verdade é que essa não é a regra geral. Muitas lojas contratam vendedores sem experiência prévia em construção civil. Alguns, inclusive, vêm de áreas totalmente diferentes. Eles aprendem no dia a dia — e aprendem bastante —, mas isso leva tempo. Até lá, é comum que um vendedor novo peça ajuda a um vendedor mais experiente… mas nem sempre isso acontece. O resultado pode ser uma orientação incompleta ou equivocada.

Outro ponto importante: a maior parte das compras de materiais de construção não é simples. São compras técnicas. Cada produto tem nome, sobrenome e apelidos — literalmente!

Vamos ao exemplo clássico: o prego. Se você pedir apenas “prego”, o vendedor provavelmente não terá como adivinhar qual você precisa. Existem pregos de ferro, aço, inox, alumínio, latão; com ou sem cabeça; com diâmetros e comprimentos variados. O “nome completo” faz toda a diferença. Por exemplo:

  • Prego com cabeça 18x27 de ferro – ideal para fixar tábuas e sarrafos.
  • Prego sem cabeça 17x21 de aço – usado para fixar rodapés à parede.
  • Prego com cabeça para compensado – outro tipo ainda.

Se um produto tão simples já possui tantas variações, imagine então os parafusos. A variedade de tipos passa facilmente do milhar, considerando diferentes cabeças, tipos de roscas, materiais e aplicações.

Outro ponto delicado: às vezes a loja não tem em estoque o item exato que você precisa. O vendedor, querendo fazer a venda, pode sugerir algo semelhante. Em alguns casos o produto alternativo funciona perfeitamente; em outros, pode comprometer o trabalho.

Também é importante lembrar que muitas fabricantes promovem campanhas oferecendo prêmios aos vendedores que atingirem determinadas metas (como viagens, cursos e até bonificações em dinheiro). Isso é normal no mercado, mas significa que você pode receber a sugestão de um produto que não é necessariamente o melhor para a sua necessidade, mas sim o mais vantajoso para o vendedor recomendar.


Outras observações importantes

  • Produtos de construção costumam ter especificações técnicas definidas por engenheiros e arquitetos. Sempre que possível, consulte o profissional responsável pela obra.
  • Antes de comprar, pesquise informações técnicas na internet, veja vídeos, leia descrições de fabricantes e, se possível, compare marcas.
  • Quando tiver dúvidas, peça para o vendedor explicar diferenças de forma objetiva: “Qual dura mais?”, “Qual suporta mais peso?” ou “Qual é mais adequado para ambiente externo?”.
  • Evite comprar apenas pelo preço. Um produto errado pode gerar retrabalho, desperdício e até problemas estruturais.
  • Se algo parecer estranho na recomendação, não hesite em pedir uma segunda opinião — seja de outro vendedor, de um profissional de obra ou até mesmo de outro estabelecimento.

No fim das contas, o vendedor pode ser um grande aliado, mas a responsabilidade final pela escolha do produto é sempre sua. Quanto mais informação você reunir antes da compra, melhor será sua decisão — e menor a chance de problemas no futuro.

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