Cuidados na remoção de coberturas
A remoção de coberturas é frequente em reformas residenciais e comerciais, seja para substituir o madeiramento, instalar isolamento térmico, corrigir infiltrações ou executar um novo telhado. Embora a retirada de telhas pareça simples, o serviço exige planejamento: há riscos de queda, desprendimento de peças e danos à edificação. Quando se pretende reaproveitar as telhas, os cuidados com desmontagem, transporte e armazenamento tornam-se ainda mais importantes.
Antes de começar, examine a cobertura
Verifique o estado das ripas, caibros, terças, tesouras, apoios e fixações. Madeiras apodrecidas, peças deformadas, corrosão e ligações soltas podem indicar risco de instabilidade. Não utilize a própria cobertura deteriorada como plataforma de trabalho. Quando houver dúvida sobre sua estabilidade, um profissional habilitado deverá definir a sequência de desmontagem e as medidas provisórias de sustentação, que podem incluir escoramentos dimensionados ou acesso independente da estrutura existente.
Observe também a existência de fios elétricos, antenas, reservatórios, instalações e materiais apoiados sobre o telhado. Antes da remoção, planeje onde as peças serão baixadas, por onde os trabalhadores circularão e como impedir a entrada de pessoas na área abaixo do serviço.
Planeje a sequência de desmontagem
Em muitas coberturas cerâmicas convencionais, a retirada começa pelos arremates e cumeeiras, prosseguindo por fiadas de cima para baixo. Essa é uma referência prática, não uma sequência obrigatória para qualquer telhado. Telhas fixadas, peças encaixadas, coberturas com geometria complexa e estruturas instáveis podem exigir outro procedimento, definido antes de iniciar o trabalho.
Remova as telhas de maneira controlada, sem arrancar peças que estejam presas às vizinhas ou lançar materiais ao chão. Nunca retire travamentos, terças ou outras peças estruturais antes de avaliar sua função na estabilidade do conjunto. A desmontagem do madeiramento deve ocorrer em sequência própria, com apoio e proteção adequados.
Quando vale a pena reaproveitar as telhas?
Se o objetivo é reutilizar as telhas, retire-as individualmente, evitando impactos nas bordas e nos encaixes. Cumeeiras assentadas com argamassa costumam ser difíceis de remover sem quebrar, mas não precisam ser descartadas automaticamente: examine cada peça depois da limpeza. O mesmo vale para telhas recortadas em arremates, que podem ser aproveitadas quando estiverem íntegras e suas dimensões forem compatíveis com o novo projeto.
Separe as peças em três grupos: telhas íntegras para reaproveitamento, peças que exigem avaliação ou limpeza e telhas quebradas destinadas ao descarte. Procure trincas, lascas nos encaixes, deformações e sinais de deterioração. Uma telha aparentemente inteira pode não ser adequada à reinstalação se perdeu sua capacidade de vedar ou fixar corretamente.
Antes de desmontar, fotografe a cobertura, registrando cumeeiras, rufos, encontros com paredes, sentido de colocação e arremates. Essas imagens ajudam muito na remontagem e na identificação de problemas antigos.
Transporte e armazenamento das peças
Baixe as telhas com cuidado, por meios compatíveis com a altura e o peso, evitando arremessá-las. Carrinhos de mão podem facilitar o transporte horizontal quando o percurso é regular e as peças estão acomodadas para não bater umas nas outras.
Em pequenas obras, é comum formar pilhas de aproximadamente 10 a 15 telhas cerâmicas para facilitar a contagem e o manuseio. Trata-se de uma referência prática: a altura e a posição corretas dependem do modelo, do peso, da estabilidade da pilha e das orientações do fabricante. Armazene em superfície firme e nivelada, fora das rotas de circulação, sem sobrecarregar lajes ou outras estruturas.
Evite concentrar grandes quantidades de telhas retiradas sobre a cobertura ou sobre uma laje existente. Mesmo materiais destinados ao descarte podem produzir cargas elevadas quando acumulados em um único ponto.
Segurança dos trabalhadores é prioridade
O trabalho em telhados envolve risco de queda de altura, ruptura de peças frágeis e queda de materiais sobre pessoas. Planeje o acesso, o isolamento da área inferior, as plataformas ou passarelas e os sistemas de proteção contra quedas de acordo com as condições da obra e as exigências aplicáveis das NR-18 e NR-35.
Não caminhe diretamente sobre telhas cerâmicas ou outras peças frágeis. Tábuas soltas sobre telhas não constituem, por si só, passagem segura. Os acessos e plataformas precisam ter apoio resistente e instalação adequada. A seleção de capacete, calçado, luvas, óculos, proteção contra quedas e demais equipamentos deve fazer parte de um procedimento de trabalho seguro, executado por trabalhadores capacitados e autorizados quando exigido.
Interrompa os serviços diante de chuva, vento forte, superfícies escorregadias ou outras condições que tornem a operação insegura. A necessidade de cumprir o cronograma não justifica desmontar uma cobertura sem condições de proteção.
Proteja a edificação contra chuva durante a reforma
Ao retirar parte do telhado, ambientes internos podem ficar expostos à chuva antes que a nova cobertura esteja pronta. Planeje a execução por etapas, acompanhe a previsão do tempo e providencie proteção provisória quando necessária.
Lonas podem ser úteis, mas precisam estar firmemente fixadas e permitir escoamento da água. Uma lona mal posicionada pode acumular água, rasgar, desprender-se com o vento ou descarregar a chuva justamente sobre forros, instalações elétricas e ambientes acabados. Não considere a lona uma substituta permanente de uma cobertura corretamente executada.
Proteja pisos, móveis, esquadrias, equipamentos e instalações. Sempre que possível, retire materiais sensíveis da área exposta antes de iniciar a desmontagem.
Cuidado especial com fibrocimento antigo e amianto
Este artigo aborda principalmente a remoção de telhas cerâmicas, mas algumas reformas envolvem coberturas de fibrocimento. Telhas antigas podem conter amianto, material que exige procedimentos específicos de avaliação, remoção, acondicionamento, transporte e destinação. Não corte, lixe, quebre ou perfure telhas suspeitas de conter amianto sem avaliação especializada e observância das exigências aplicáveis.
Fibrocimento sem amianto e telhas com amianto não devem ser tratados como materiais equivalentes para descarte. A classificação e a destinação dos resíduos precisam considerar sua composição e as regras locais. Quando houver suspeita de amianto, procure empresa habilitada para definir o procedimento adequado.
Descarte e limpeza do canteiro
Telhas cerâmicas quebradas e outros resíduos minerais limpos podem, conforme sua classificação, integrar o fluxo de resíduos de construção civil da Classe A. Separe materiais diferentes, evite misturar resíduos perigosos e confirme as condições de recebimento da caçamba, do transportador ou do ecoponto municipal.
Não descarte materiais em terrenos baldios, calçadas, cursos d'água ou áreas públicas. Retire fragmentos do piso e das áreas de circulação durante a execução, em vez de acumular todo o entulho até o final da reforma.
Observações adicionais
- Em coberturas muito antigas, a desmontagem pode revelar deteriorações ocultas; avalie a necessidade de substituir parte ou toda a estrutura de madeira.
- Não acumule telhas removidas sobre lajes ou sobre pontos isolados da cobertura sem verificar a capacidade de suporte.
- Fotografe a cobertura antes da retirada das peças, especialmente encontros com paredes, rufos e cumeeiras.
- Planeje a sequência de retirada conforme o sistema construtivo e a estabilidade da estrutura; não adote uma ordem única para todos os telhados.
- Telhas recortadas e cumeeiras com argamassa podem ser reaproveitadas somente após inspeção e verificação de compatibilidade.
- Proteja as áreas internas contra chuvas durante o intervalo entre a remoção e a execução da nova cobertura.
- Evite trabalhar com telhas molhadas, sob chuva ou vento forte, e utilize acesso e proteção contra quedas adequados.
- Se houver fibrocimento antigo com suspeita de amianto, solicite avaliação especializada antes da intervenção.