Cuidados na remoção de coberturas
A remoção de coberturas é um serviço frequente em reformas residenciais e comerciais, especialmente quando há necessidade de substituição do madeiramento, instalação de manta térmica, execução de estruturas novas, reparos em vazamentos ou preparação para um novo telhado. Apesar de ser uma atividade relativamente simples em comparação a outros tipos de coberturas, exige atenção, planejamento e cuidados rigorosos para garantir segurança e evitar danos às peças — principalmente quando há intenção de reaproveitá-las.
A primeira etapa é a avaliação da estrutura existente. Deve-se verificar o estado das ripas, caibros, terças e peças metálicas de fixação. Estruturas comprometidas por apodrecimento ou oxidação podem ceder durante o trabalho, oferecendo risco de queda e acidentes graves. Caso haja trechos instáveis, é fundamental escorar e estabilizar a área antes de iniciar a remoção das telhas.
O processo de desmontagem deve seguir sempre a ordem inversa da montagem: começa-se pelas cumeeiras e segue-se retirando as telhas de cima para baixo, uma fiada por vez. Em coberturas antigas, é comum encontrar cumeeiras assentadas com argamassa; nestes casos, o reaproveitamento das peças é praticamente impossível, já que a argamassa tende a gerar trincas na telha durante a remoção. Também devem ser descartadas todas as telhas recortadas — geralmente utilizadas em arremates, bordas e encontros com paredes — pois não possuem resistência adequada para reinstalação.
Quando há interesse em reaproveitar as telhas, o manuseio precisa ser ainda mais cuidadoso. As telhas devem ser retiradas individualmente, apoiando-as firmemente com as duas mãos para evitar quedas ou lascas. Após a remoção, recomenda-se empilhá-las em pequenas pilhas de no máximo 10 a 15 unidades, sempre na posição horizontal, sobre superfície plana e forrada com tábuas ou mantas para evitar quebras. O transporte também deve ser feito com cuidado, preferencialmente com carrinho de mão, evitando impactos que possam trincar as peças.
Outro ponto importante é a segurança da equipe. Trabalhar em telhados cerâmicos apresenta riscos significativos de queda, principalmente com as telhas úmidas (quando as telhas ficam escorregadias) ou em condições de vento forte. O uso de EPI completo é obrigatório: capacete, botas antiderrapantes, luvas, óculos e cinto de segurança com linha de vida. Andaimes ou plataformas podem ser necessários para acesso seguro às extremidades da cobertura.
Em caso de descarte definitivo, as telhas (exceto as de fibrocimento) devem ser levadas para caçambas de entulho Classe A. É importante nunca descartar telhas em áreas públicas, terrenos baldios ou locais não autorizados. A depender da cidade, pode haver ecopontos específicos para esse tipo de resíduo.
Durante todo o processo, os operários devem ser orientados sobre os elementos da obra que devem ser preservados, como pisos, esquadrias, calhas, forros e áreas internas já acabadas — evitando danos durante o transporte das peças. Também é recomendável proteger o entorno da obra com lonas ou tapumes para impedir que fragmentos cerâmicos caiam em vias públicas ou lotes vizinhos.
Observações adicionais:
- Em telhados muito antigos, considere a troca total da estrutura de madeira, pois a remoção pode revelar deteriorações ocultas.
- O peso total das telhas removidas pode ser elevado; evite acumulá-las sobre a laje para não gerar sobrecarga.
- Se possível, fotografe a cobertura antes da desmontagem para facilitar a montagem futura.
- Evite remover telhas em dias chuvosos ou úmidos — o risco de escorregamento aumenta significativamente.