Demolição de Concreto Armado
A demolição de concreto armado é uma etapa crítica e tecnicamente complexa em obras de reforma, ampliação e retrofit de edificações. Diferente da demolição de alvenaria comum, o concreto armado combina resistência à compressão (concreto) e tração (aço), tornando sua remoção muito mais difícil e exigindo planejamento rigoroso, ferramentas adequadas, profissionais experientes e, principalmente, acompanhamento técnico especializado. Erros nesse tipo de intervenção podem comprometer toda a estrutura da edificação e gerar acidentes gravíssimos.
Antes do início dos trabalhos, é obrigatória a avaliação minuciosa por um engenheiro estrutural. O profissional analisará as vigas, pilares, lajes e demais elementos que compõem o pórtico estrutural, verificando cargas atuantes, redistribuição de esforços e eventuais riscos à estabilidade. Com base nesse diagnóstico, o engenheiro definirá a sequência segura de demolição, indicando quais trechos podem ser removidos, quais devem ser escorados, e quais não podem ser demolidos de forma alguma. Toda sobrecarga apoiada nos itens a demolir — como paredes, revestimentos pesados, telhados apoiados, reservatórios ou mezaninos — deve ser removida previamente.
Infelizmente, há um histórico extenso no Brasil de edificações que ruíram total ou parcialmente durante reformas devido à demolição indevida de vigas, pilares ou paredes estruturais. Por isso, esse tipo de serviço exige cuidados extremos e total respeito às recomendações técnicas.
No caso de pisos apoiados diretamente sobre o solo, o risco estrutural é menor, mas ainda assim é recomendável avaliar a espessura da peça, a presença de ferragens, tubulações embutidas e interferências, evitando danos a redes hidráulicas ou elétricas.
Por se tratar de um material de alta resistência, a demolição deve ser realizada com ferramentas apropriadas. Em áreas internas ou de pequeno porte, utilizam-se marteletes rompedor (elétricos) ou rompedores pneumáticos, sempre operados por profissionais experientes. Em obras de maior escala, pode-se empregar escavadeiras hidráulicas equipadas com martelo rompedor, conhecido popularmente como picão, aumentando significativamente a produtividade.
É fundamental evitar o acúmulo de entulho sobre lajes, pois o peso excessivo pode gerar sobrecargas perigosas. O entulho deve ser removido periodicamente do local, organizado e transportado para caçamba ou caminhão, conforme o plano de logística da obra. Quando necessário, plataformas elevadas, andaimes ou linhas de vida devem ser instaladas para garantir a segurança na execução em altura.
Outro ponto crítico é o corte das ferragens internas do concreto. Após rompimento da peça, é comum que barras de aço fiquem expostas com pontas cortantes, oferecendo risco de perfuração. O corte das armaduras deve ser feito com lixadeira ou serra apropriada, e todas as áreas com ferros expostos devem ser isoladas ou sinalizadas até a remoção total do material.
Para a destinação final, o concreto demolido deve ser encaminhado a bota-foras licenciados ou empresas de reciclagem de resíduos da construção civil. O aço retirado pode ser vendido como sucata, reduzindo o custo total da obra.
Durante os serviços, é essencial orientar os operários sobre o que será reaproveitado ou preservado, evitando danos ao piso existente, instalações aparentes, alvenarias remanescentes e demais elementos da edificação.
Observações adicionais:
- O martelete rompedor produz ruído muito elevado; o uso de protetores auriculares é obrigatório.
- Óculos de proteção, luvas, botas de segurança, máscara antipó e capacete devem ser utilizados por toda a equipe.
- Evite iniciar demolições muito cedo em regiões residenciais, reduzindo incômodos com o barulho.
- Áreas com circulação de pessoas devem ser isoladas com fitas, barreiras ou tapumes.
- Para grandes áreas de demolição, considere o uso de escavadeira com rompedor, que aumenta produtividade e reduz esforço físico dos operários.