Cuidados na instalação de piso cerâmico em áreas molhadas
O piso cerâmico é um material bastante utilizado em áreas molhadas de edificações residenciais e comerciais, graças à sua combinação de durabilidade, versatilidade e ótimo custo-benefício. Trata-se de um produto composto basicamente por argila e outros minerais, moldado e queimado em altas temperaturas, o que garante elevada resistência mecânica e boa impermeabilidade.
Disponível em uma infinidade de cores, texturas e designs, a cerâmica oferece inúmeras possibilidades estéticas. Existem modelos antiderrapantes, ideal para áreas molhadas como banheiros, áreas de serviço e pisos externos. O avanço tecnológico na fabricação permite reproduções realistas de pedras, madeiras e até de cimento queimado, ampliando as opções para projetos decorativos e arquitetônicos de todos os estilos. As dimensões também variam bastante, desde pequenas peças de 20x20 cm até grandes formatos de 90x90 cm, atendendo diferentes necessidades de aplicação.
Entre as principais vantagens do piso cerâmico estão a facilidade de limpeza, a resistência ao desgaste e a variedade de acabamento. Por ser um material rígido e pouco poroso, é ideal para locais de grande circulação e de fácil manutenção. Seu preço é acessível quando comparado a outros revestimentos, como o porcelanato, e há opções de boa qualidade a partir de R$ 35,00/m². Além disso, o piso cerâmico apresenta boa resistência à abrasão e mantém o aspecto estético por muitos anos, quando bem instalado e conservado.
Entretanto, a cerâmica também possui algumas desvantagens. Seu toque é naturalmente frio, o que pode ser desconfortável em regiões de clima ameno. Além disso, o material pode quebrar ou trincar com o impacto de objetos pesados. Outra limitação é a baixa capacidade de absorção acústica, o que pode gerar ruídos ao caminhar, especialmente em apartamentos. Por isso, é importante considerar o ambiente e o tipo de uso antes da escolha definitiva do revestimento.
Durante a instalação, é fundamental observar alguns cuidados técnicos para garantir a durabilidade e o bom desempenho do piso. A base deve estar nivelada, limpa e firme, livre de poeira e resíduos de argamassa. A escolha da argamassa colante deve levar em conta o tipo de cerâmica e o local de aplicação (área seca ou úmida). O uso de espaçadores plásticos é indispensável para manter juntas regulares e facilitar o rejuntamento posterior. Após o assentamento, o rejunte deve ser aplicado apenas depois da cura completa da argamassa, utilizando-se produtos específicos para ambientes internos.
Algumas recomendações adicionais:
- Para áreas molhadas, de preferência para cerâmica com textura antiderrapante.
- Em se tratando de áreas molhadas, normalmente o piso tem caimento em direção ao ralo, de forma que convém conferir se o caimento está correto antes da instalação da cerâmica. O teste é bastante simples, jogue meio balde de água sobre a camada de regularização e veja se a água escorre em direção ao ralo.
- Adquira sempre cerca de 10% a 15% a mais de material do que a metragem calculada, para compensar perdas por cortes e eventuais futuras reposições.
- Peças de lotes diferentes podem apresentar variações perceptíveis de cor e tamanho.
- Para prolongar a vida útil, evite o uso de produtos abrasivos na limpeza e mantenha os rejuntes sempre bem vedados e limpos.
Tipos de Argamassa Colante e Rejuntes
A escolha correta da argamassa colante e do rejunte é fundamental para garantir a durabilidade e o bom desempenho do revestimento cerâmico. A ABNT classifica as argamassas em três tipos principais, conforme a resistência à aderência e o local de aplicação:
- Argamassa AC-I: indicada para áreas internas e secas, como salas, dormitórios e corredores. É a argamassa de uso mais simples, adequada para cerâmicas convencionais de até 30×30 cm. Não deve ser usada em locais sujeitos à umidade ou variações térmicas intensas.
- Argamassa AC-II: recomendada para áreas internas e externas, inclusive locais úmidos como banheiros, cozinhas e lavanderias. Possui aditivos que aumentam a aderência e a flexibilidade, permitindo aplicação em paredes expostas ao sol e em superfícies sujeitas a pequenas movimentações. É a mais utilizada em obras residenciais e comerciais.
- Argamassa AC-III: desenvolvida para aplicações de alto desempenho, como fachadas, piscinas, churrasqueiras e saunas. Suporta variações bruscas de temperatura e umidade, além de assentamento de revestimentos especiais — como pastilhas de vidro e porcelanatos. Também é indicada para sobreposição de cerâmica sobre cerâmica (revestimento sobre revestimento).
Além da argamassa, o rejunte desempenha papel essencial na proteção das juntas entre as peças, impedindo infiltrações e absorção de sujeira. Sua escolha deve considerar o tipo de ambiente, o tamanho das juntas e a estética desejada:
- Rejunte cimentício comum: indicado para áreas internas e secas, possui boa trabalhabilidade, porém é mais poroso e pode manchar com o tempo.
- Rejunte cimentício flexível (com polímeros): adequado para áreas úmidas internas, apresenta menor absorção de água e melhor aderência às bordas das peças.
- Rejunte epóxi: o mais resistente e impermeável, ideal para cozinhas, banheiros, piscinas e fachadas. Possui alta durabilidade, não mancha e impede o surgimento de fungos, mas exige aplicação cuidadosa e limpeza imediata.